Esquema criminoso nacional de venda de Cytotec e orientação para abortos é desarticulado em ação conjunta, com foco em moradora do Espírito Santo.
A Polícia Civil deflagrou uma operação de grande porte para desarticular um complexo esquema de venda ilegal de medicamento abortivo, especificamente o Cytotec, e de ‘assessoria’ para procedimentos de aborto. A investigação, que começou no Rio Grande do Sul, se estendeu por oito estados brasileiros, incluindo o Espírito Santo.
No centro das apurações está uma moradora de Aracruz, no Espírito Santo, suspeita de gerenciar um grupo online que comercializava os fármacos e fornecia orientações detalhadas para as mulheres. A operação visa aprofundar a participação de indivíduos em cada localidade envolvida.
As ações resultaram em prisões e apreensões, reforçando o compromisso das autoridades no combate a essa prática ilícita, conforme informações divulgadas pelo g1.
A Operação Aurora e sua Abrangência Nacional
A Operação Aurora foi iniciada pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul, em colaboração com a Diretoria de Operações Integradas e de Inteligência da Secretaria Nacional de Segurança Pública. Esta força-tarefa atuou de forma simultânea em diversas regiões do país.
As investigações se expandiram para oito estados: Espírito Santo, Paraíba, Goiás, Rio de Janeiro, Bahia, Minas Gerais e Distrito Federal. Até o momento, três pessoas foram presas, e houve apreensão de drogas e celulares.
A delegada Karoline Calegari, titular da Delegacia de Polícia de Guaíba (RS), detalhou que o objetivo principal é desmantelar uma organização criminosa focada na venda ilegal de Cytotec (misoprostol) e na assistência remota para abortos.
O Início da Investigação e o Papel da Suspeita em Aracruz
As apurações tiveram início após um incidente em 2 de abril de 2025, quando uma mulher deu entrada no Hospital Regional de Guaíba (RS) e expelir dois fetos. Ela havia ingerido misoprostol, adquirido pela internet com a orientação de uma ‘doutora’ que, posteriormente, parou de responder.
A moradora de Aracruz é investigada por administrar um grupo online que facilitava a comercialização do medicamento e a orientação para os procedimentos. A polícia tenta esclarecer se ela também vendeu o medicamento para mulheres capixabas.
Conforme o delegado Ricardo Barbosa, a suspeita negou vendas no Espírito Santo, mas a abrangência de sua rede social sugere o contrário. A busca e apreensão realizada em sua residência pode trazer novas informações cruciais para a investigação sobre a venda ilegal de medicamento abortivo.
Crimes Envolvidos e Restrições Legais ao Aborto no Brasil
Os envolvidos no esquema podem responder por uma série de crimes graves. Entre eles estão tráfico de drogas, aborto, falsificação, corrupção, adulteração ou venda de medicamento sem registro ou de uso restrito, e organização criminosa.
O delegado Ricardo Barbosa ressaltou que a origem do medicamento é conhecida, mas não será divulgada para não comprometer a investigação. O uso do Cytotec (misoprostol) é restrito a hospitais no Brasil, o que intensifica a gravidade da venda ilegal.
No Brasil, o aborto é crime, exceto em três situações específicas: em casos de feto anencefálico, quando a gravidez é resultado de estupro, ou quando há risco à vida da gestante. As mulheres que adquiriram e utilizaram o medicamento ilegalmente também podem ser responsabilizadas judicialmente.
Próximos Passos da Investigação
A polícia continua a trabalhar para identificar o papel de cada integrante do grupo criminoso e determinar a origem do desvio do medicamento, que possui uso restrito. As investigações prometem revelar mais detalhes sobre essa rede de venda ilegal de medicamento abortivo.
As autoridades esperam que as apreensões de celulares e outros dispositivos eletrônicos forneçam dados importantes para desvendar a totalidade do esquema. A Operação Aurora segue em andamento, visando a completa desarticulação da organização criminosa envolvida na venda de Cytotec.