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{
"title": "Pais de jovens mortos em Brasiléia, Acre, lutam por reabertura de caso envolvendo PMs já acusados em outro crime",
"subtitle": "Famílias de Álvaro e Vicente, vítimas em 2020, questionam versão policial de confronto, apresentando nova perícia particular e buscando que o Ministério Público do Acre investigue a fundo as acusações de execução e manipulação da cena do crime.",
"content_html": "<h2>Famílias de jovens mortos em 2020 pedem reanálise de caso no Acre, apontando falhas na investigação e ligação com outro crime de grande repercussão</h2><p>A dor de perder um filho é imensurável, e quando a morte ocorre em circunstâncias questionáveis, a busca por justiça se torna uma missão incansável. É o que vivem os pais de <b>Álvaro Praxedes Santana</b>, de 16 anos, e <b>Vicente Ferreira dos Santos</b>, de 19, que foram mortos em Brasiléia, no Acre, em 2020.</p><p>Quatro anos após o ocorrido, as famílias não se conformam com a versão apresentada pela polícia e agora clamam pela <b>reabertura do caso</b>, munidas de uma perícia particular que contradiz a narrativa oficial. Eles acusam os policiais de execução e adulteração da cena do crime.</p><p>A situação ganha contornos ainda mais graves ao revelar que dois dos policiais envolvidos neste episódio estão também sendo investigados pela morte da enfermeira Géssica Melo, ocorrida em 2023, conforme informação divulgada pelo g1.</p><h3>A Contradição entre a Versão Oficial e o Relato dos Pais</h3><p>Os jovens Álvaro e Vicente estavam em uma rua de Brasiléia quando foram atingidos por tiros disparados por policiais. A versão oficial da polícia, na época, alegava confronto. No entanto, os pais não acreditam nessa narrativa e pedem que o caso seja reinvestigado pelo Ministério Público do Acre (MP-AC).</p><p>Antônio Lúcio Santana Júnior, pai de Álvaro, que reside no Rio de Janeiro, e Aurieda Pereira Ferreira, mãe de Vicente, de Brasiléia, relatam uma sequência de eventos que contradiz a versão policial. Segundo eles, os jovens esperavam um carro solicitado, mas, em vez disso, foram surpreendidos por policiais descaracterizados.</p><p>Antônio detalha que o motorista do carro procurou a polícia para uma suposta escolta. “Aí os policiais entraram no carro dele [do motorista] e foram até o local onde estavam esses menores. Os jovens, acreditando que o carro solicitado estava chegando, se aproximaram inocentemente até perto do veículo. Os policiais desceram e atiraram, acertando quatro”, explicou.</p><p>Aurieda reforça o relato, afirmando que os policiais do Gefron (Grupo Especial de Fronteira) chegaram efetuando disparos. Ela descreve que Vicente, sentado em uma bicicleta, foi atingido na mandíbula. “Ele foi arrastado para o meio da rua e recebeu o segundo disparo à queima-roupa que atingiu o coração dele, o disparo fatal”, complementou a mãe.</p><p>A acusação mais grave das famílias é de que os policiais teriam “plantado” armas e efetuado disparos para incriminar os rapazes. “Eles pegaram a mão do meu garoto e de outro rapaz, colocaram uma arma na mão deles e deram vários tiros contra o carro que eles tinham utilizado”, denunciou Aurieda, baseando-se em relatos de sobreviventes que fingiram estar mortos.</p><h3>Perícia Particular Aponta Execução e Manipulação do Local do Crime</h3><p>Um ano após as mortes, os pais contrataram uma perícia particular, elaborada pelo perito criminal aposentado Antônio Nogueira dos Santos. O resultado, segundo eles, se opõe diretamente ao que foi apresentado pela polícia, fortalecendo o pedido de <b>reabertura do caso no Acre</b>.</p><p>O laudo da perícia particular, concluído em julho de 2021, aponta que os ferimentos de Álvaro e Vicente foram causados por disparos a curta distância e de cima para baixo, indicando que o atirador estava em pé e a vítima em um plano inferior, ajoelhada ou sentada. Isso contradiz a alegação policial de confronto a 15 metros de distância.</p><p>No caso de Álvaro, os exames indicaram que os tiros foram dados enquanto a vítima estava inicialmente em pé, sendo atingida no joelho, depois na lombar, e, ao cair, recebeu o terceiro disparo no tórax. A perícia também observou que o local do crime não foi preservado e as armas dos policiais não foram periciadas, prejudicando a investigação.</p><p>Antônio, pai de Álvaro, questiona a ausência de perícia no carro para verificar o ângulo dos tiros supostamente dados pelos jovens. “Esse carro não foi recolhido pela Polícia Civil. As armas desses executores não foram recolhidas pelo comando da polícia. Eles continuaram laborando normalmente nas ruas, nem afastados foram”, pontuou.</p><h3>Ligação com o Caso Géssica Melo e o "Modus Operandi" Policial</h3><p>A gravidade da situação se acentua ao se constatar que dois dos policiais envolvidos nas mortes de Álvaro e Vicente, Gleyson Costa de Souza e Cleonizio Marques Vilas Boas, são os mesmos que respondem pelo assassinato da enfermeira Géssica Melo de Oliveira, em dezembro de 2023, durante uma perseguição policial.</p><p>O pai de Álvaro destaca a semelhança no “modus operandi” dos policiais nos dois casos. “Eles conseguiram matar a enfermeira com o mesmo modus operandi. Alegaram que a enfermeira tinha dado tiros na direção deles e eles atiraram na direção dela. Depois, eles plantaram uma arma ao lado do corpo para justificar que ela tinha atirado contra eles”, relembrou.</p><p>Os dois policiais se tornaram réus no caso Géssica Melo em fevereiro deste ano, e a audiência de instrução tem sofrido adiamentos. Essa conexão reforça a urgência das famílias na busca pela verdade e justiça para os jovens mortos em Brasiléia.</p><h3>A Luta Pela Reabertura do Caso e o Silêncio das Testemunhas</h3><p>As famílias têm enfrentado dificuldades na busca por justiça. Antônio enviou documentos à Corregedoria da Polícia Militar que, segundo ele, foram rasurados. Ele também acusa a justiça de acreditar apenas nas versões dos policiais e o Ministério Público de omissão.</p><p>Os sobreviventes do incidente, um com sequelas graves na cabeça e outro que precisou usar bolsa de colostomia, fugiram da cidade e têm medo de testemunhar. “Eles não querem testemunhar perante a justiça. Eles têm muito medo”, complementou Aurieda.</p><p>O Ministério Público do Estado do Acre (MP-AC) informou que aguarda o encaminhamento do pedido de reanálise para “avaliar uma eventual reabertura do caso”, desde que haja novas informações e evidências que justifiquem o desarquivamento do processo. No entanto, o MP avalia que o relatório do perito particular não traz fatos novos.</p><p>O advogado das famílias, Walisson dos Reis Pereira, reuniu-se com o MP em Brasiléia, e o pai de Álvaro protocolou uma denúncia na Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos. A esperança é que, com a persistência e as novas evidências, a verdade sobre a morte dos jovens Álvaro e Vicente venha à tona e a justiça seja feita.</p>"
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"content_html": "<h2>Famílias de jovens mortos em 2020 pedem reanálise de caso no Acre, apontando falhas na investigação e ligação com outro crime de grande repercussão</h2><p>A dor de perder um filho é imensurável, e quando a morte ocorre em circunstâncias questionáveis, a busca por justiça se torna uma missão incansável. É o que vivem os pais de <b>Álvaro Praxedes Santana</b>, de 16 anos, e <b>Vicente Ferreira dos Santos</b>, de 19, que foram mortos em Brasiléia, no Acre, em 2020.</p><p>Quatro anos após o ocorrido, as famílias não se conformam com a versão apresentada pela polícia e agora clamam pela <b>reabertura do caso</b>, munidas de uma perícia particular que contradiz a narrativa oficial. Eles acusam os policiais de execução e adulteração da cena do crime.</p><p>A situação ganha contornos ainda mais graves ao revelar que dois dos policiais envolvidos neste episódio estão também sendo investigados pela morte da enfermeira Géssica Melo, ocorrida em 2023, conforme informação divulgada pelo g1.</p><h3>A Contradição entre a Versão Oficial e o Relato dos Pais</h3><p>Os jovens Álvaro e Vicente estavam em uma rua de Brasiléia quando foram atingidos por tiros disparados por policiais. A versão oficial da polícia, na época, alegava confronto. No entanto, os pais não acreditam nessa narrativa e pedem que o caso seja reinvestigado pelo Ministério Público do Acre (MP-AC).</p><p>Antônio Lúcio Santana Júnior, pai de Álvaro, que reside no Rio de Janeiro, e Aurieda Pereira Ferreira, mãe de Vicente, de Brasiléia, relatam uma sequência de eventos que contradiz a versão policial. Segundo eles, os jovens esperavam um carro solicitado, mas, em vez disso, foram surpreendidos por policiais descaracterizados.</p><p>Antônio detalha que o motorista do carro procurou a polícia para uma suposta escolta. “Aí os policiais entraram no carro dele [do motorista] e foram até o local onde estavam esses menores. Os jovens, acreditando que o carro solicitado estava chegando, se aproximaram inocentemente até perto do veículo. Os policiais desceram e atiraram, acertando quatro”, explicou.</p><p>Aurieda reforça o relato, afirmando que os policiais do Gefron (Grupo Especial de Fronteira) chegaram efetuando disparos. Ela descreve que Vicente, sentado em uma bicicleta, foi atingido na mandíbula. “Ele foi arrastado para o meio da rua e recebeu o segundo disparo à queima-roupa que atingiu o coração dele, o disparo fatal”, complementou a mãe.</p><p>A acusação mais grave das famílias é de que os policiais teriam “plantado” armas e efetuado disparos para incriminar os rapazes. “Eles pegaram a mão do meu garoto e de outro rapaz, colocaram uma arma na mão deles e deram vários tiros contra o carro que eles tinham utilizado”, denunciou Aurieda, baseando-se em relatos de sobreviventes que fingiram estar mortos.</p><h3>Perícia Particular Aponta Execução e Manipulação do Local do Crime</h3><p>Um ano após as mortes, os pais contrataram uma perícia particular, elaborada pelo perito criminal aposentado Antônio Nogueira dos Santos. O resultado, segundo eles, se opõe diretamente ao que foi apresentado pela polícia, fortalecendo o pedido de <b>reabertura do caso no Acre</b>.</p><p>O laudo da perícia particular, concluído em julho de 2021, aponta que os ferimentos de Álvaro e Vicente foram causados por disparos a curta distância e de cima para baixo, indicando que o atirador estava em pé e a vítima em um plano inferior, ajoelhada ou sentada. Isso contradiz a alegação policial de confronto a 15 metros de distância.</p><p>No caso de Álvaro, os exames indicaram que os tiros foram dados enquanto a vítima estava inicialmente em pé, sendo atingida no joelho, depois na lombar, e, ao cair, recebeu o terceiro disparo no tórax. A perícia também observou que o local do crime não foi preservado e as armas dos policiais não foram periciadas, prejudicando a investigação.</p><p>Antônio, pai de Álvaro, questiona a ausência de perícia no carro para verificar o ângulo dos tiros supostamente dados pelos jovens. “Esse carro não foi recolhido pela Polícia Civil. As armas desses executores não foram recolhidas pelo comando da polícia. Eles continuaram laborando normalmente nas ruas, nem afastados foram”, pontuou.</p><h3>Ligação com o Caso Géssica Melo e o "Modus Operandi" Policial</h3><p>A gravidade da situação se acentua ao se constatar que dois dos policiais envolvidos nas mortes de Álvaro e Vicente, Gleyson Costa de Souza e Cleonizio Marques Vilas Boas, são os mesmos que respondem pelo assassinato da enfermeira Géssica Melo de Oliveira, em dezembro de 2023, durante uma perseguição policial.</p><p>O pai de Álvaro destaca a semelhança no “modus operandi” dos policiais nos dois casos. “Eles conseguiram matar a enfermeira com o mesmo modus operandi. Alegaram que a enfermeira tinha dado tiros na direção deles e eles atiraram na direção dela. Depois, eles plantaram uma arma ao lado do corpo para justificar que ela tinha atirado contra eles”, relembrou.</p><p>Os dois policiais se tornaram réus no caso Géssica Melo em fevereiro deste ano, e a audiência de instrução tem sofrido adiamentos. Essa conexão reforça a urgência das famílias na busca pela verdade e justiça para os jovens mortos em Brasiléia.</p><h3>A Luta Pela Reabertura do Caso e o Silêncio das Testemunhas</h3><p>As famílias têm enfrentado dificuldades na busca por justiça. Antônio enviou documentos à Corregedoria da Polícia Militar que, segundo ele, foram rasurados. Ele também acusa a justiça de acreditar apenas nas versões dos policiais e o Ministério Público de omissão.</p><p>Os sobreviventes do incidente, um com sequelas graves na cabeça e outro que precisou usar bolsa de colostomia, fugiram da cidade e têm medo de testemunhar. “Eles não querem testemunhar perante a justiça. Eles têm muito medo”, complementou Aurieda.</p><p>O Ministério Público do Estado do Acre (MP-AC) informou que aguarda o encaminhamento do pedido de reanálise para “avaliar uma eventual reabertura do caso”, desde que haja novas informações e evidências que justifiquem o desarquivamento do processo. No entanto, o MP avalia que o relatório do perito particular não traz fatos novos.</p><p>O advogado das famílias, Walisson dos Reis Pereira, reuniu-se com o MP em Brasiléia, e o pai de Álvaro protocolou uma denúncia na Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos. A esperança é que, com a persistência e as novas evidências, a verdade sobre a morte dos jovens Álvaro e Vicente venha à tona e a justiça seja feita.</p>"
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