Dados do IBGE revelam uma transformação demográfica na Paraíba, com acentuada queda na gravidez na adolescência e ascensão de mães com mais de 30 anos.
A Paraíba está passando por uma notável transformação em seu perfil demográfico, especialmente no que tange à maternidade. Dados recentes apontam para uma diminuição expressiva nos casos de gravidez na adolescência, um fenômeno que reflete mudanças sociais e políticas de saúde pública no estado.
Em contrapartida, observa-se um crescimento consistente no número de mulheres que optam por ter filhos a partir dos 30 anos, indicando uma reconfiguração da idade média das mães paraibanas. Esse novo panorama traz reflexões importantes sobre planejamento familiar e desenvolvimento social.
Essas tendências, que colocam a Paraíba em destaque no cenário nacional, foram detalhadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), conforme informações divulgadas pelo G1.
Gravidez na Adolescência em Declínio Acentuado
A participação de mães com até 19 anos na Paraíba tem apresentado uma queda constante ao longo dos anos. Em 2004, essa faixa etária representava 22,8% dos nascimentos registrados no estado. Dez anos depois, em 2014, o índice já havia diminuído para 19,4%.
A tendência de queda se intensificou, chegando a apenas 12,8% em 2024, com um total de 6.207 registros de nascimentos de mães adolescentes. Essa redução de 10% no período analisado é superior à média brasileira, embora ainda esteja abaixo da média da região Nordeste.
Essa diminuição na gravidez na adolescência é um dado relevante para a saúde pública e para o desenvolvimento social, indicando possíveis avanços em programas de educação sexual e acesso a métodos contraceptivos, impactando diretamente o futuro das jovens paraibanas.
Aumento de Mães com Mais de 30 Anos
Em contraste com a queda da gravidez precoce, o levantamento do IBGE revela um aumento significativo na proporção de mulheres que se tornam mães a partir dos 30 anos. Entre 2004 e 2024, a participação do grupo de 30 a 34 anos cresceu de 12,9% para 20,7%, um salto considerável.
Similarmente, as mulheres na faixa etária de 35 a 39 anos também mostraram um aumento expressivo, passando de 6,3% dos nascimentos em 2004 para 13,5% em 2024. Essa mudança no perfil etário das mães reflete tendências globais e regionais.
A postergação da maternidade pode estar ligada a fatores como maior inserção da mulher no mercado de trabalho, busca por estabilidade financeira e acadêmica, e acesso a informações sobre planejamento familiar, redefinindo o momento de ter filhos na Paraíba.
Queda no Total de Nascimentos e Aumento de Óbitos
Além das mudanças no perfil das mães, o IBGE registrou uma diminuição geral no total de nascimentos na Paraíba. Entre 2023 e 2024, o estado contabilizou uma queda de 1,9%, passando de 49.524 para 48.591 registros, uma redução de 933 nascimentos.
Apesar dessa redução, a Paraíba apresentou a menor diminuição entre todos os estados brasileiros, em um cenário nacional de queda de 5,8% nos nascimentos. Em relação ao sexo dos bebês, 51,3% eram meninos e 48,7% meninas em 2024, proporções que se mantêm estáveis desde 2004.
Por outro lado, o número de óbitos na Paraíba registrou um aumento de 6,4% em 2024, acompanhando uma tendência nacional de crescimento em todos os estados. Foram 29.468 óbitos registrados, um acréscimo de 1.772 em comparação com o ano anterior.
Perfil dos Óbitos na Paraíba: Idosos e Crianças
O aumento de óbitos na Paraíba, que representa o sexto maior crescimento entre os estados brasileiros, é composto predominantemente por idosos. A pesquisa do IBGE indica uma tendência de crescimento na faixa etária de 60 anos ou mais.
Em 2004, este grupo representava 64% dos óbitos, subindo para 67% em 2014, e atingindo 71,3% em 2024, com 21.018 pessoas. Esse dado sugere um envelhecimento da população e a necessidade de políticas de saúde voltadas para a terceira idade.
Em contrapartida, o grupo de óbitos de crianças com até 14 anos apresentou uma queda expressiva. Em 2004, representava 7,2% do total, diminuindo para 3,8% em 2014 e chegando a 2,5% em 2024, com 746 registros, um indicador positivo na saúde infantil, refletindo avanços na medicina e nos cuidados pediátricos.