Novos registros de hantavírus no estado ligam o alerta para a doença transmitida por roedores e a importância da prevenção, especialmente em regiões de fronteira.
O Paraná confirmou recentemente dois novos casos de hantavírus, uma doença grave transmitida por roedores silvestres. Além disso, outros 11 casos estão sob investigação, gerando preocupação entre as autoridades de saúde.
Um dos pacientes é morador de Pérola d’Oeste, município localizado próximo à fronteira com a Argentina, país que enfrenta um aumento significativo de infecções. O outro caso foi registrado em Ponta Grossa, mas a contaminação ocorreu em outra cidade.
A situação exige atenção redobrada da população e das autoridades, que reforçam a importância de medidas preventivas. As informações foram divulgadas pelo g1.
Casos Confirmados e a Situação na Fronteira
O caso de Pérola d’Oeste é particularmente relevante devido à sua proximidade com a Argentina. O Ministério da Saúde argentino confirmou 101 infecções por hantavírus desde junho de 2025, quase o dobro do registrado no mesmo período do ano anterior. Isso indica uma circulação intensa do vírus na região.
A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) do Paraná informou que a doença está sob controle no estado. No entanto, a investigação dos 11 casos suspeitos continua, buscando identificar possíveis novos focos de contaminação.
Em Ponta Grossa, a Secretaria Municipal de Saúde está investigando o caso, confirmando que o paciente foi contaminado em outro local. Ambos os municípios esclareceram que os casos não possuem nenhuma relação com os registros de hantavírus em cruzeiros.
É importante ressaltar que, em 2025, o Paraná havia registrado apenas um caso da doença, em Cruz Machado, no Sul do estado. Os novos casos reforçam a necessidade de vigilância constante.
Sintomas do Hantavírus: Como Identificar a Doença
A fase inicial da Síndrome Pulmonar por Hantavírus (HPS) frequentemente se assemelha a uma gripe forte, dificultando o diagnóstico. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os principais sinais incluem febre, dores no corpo, dor de cabeça, mal-estar e sintomas gastrointestinais.
Em estágios mais avançados e graves da doença, o quadro clínico pode piorar consideravelmente. Pacientes podem apresentar falta de ar, tosse seca, queda de pressão e insuficiência respiratória, exigindo internação e cuidados intensivos.
A infectologista Gabriela Gehring explica que nem todos os pacientes evoluem para formas graves. “Assim como outros vírus, nem todos os casos evoluem para formas graves. Algumas pessoas apresentam sintomas inespecíficos, enquanto outras podem desenvolver insuficiência respiratória”, afirmou a especialista.
Tratamento e Prevenção: Medidas Essenciais
Atualmente, não existe um medicamento específico para combater o hantavírus. O tratamento é de suporte, ou seja, focado no alívio dos sintomas e na manutenção das funções vitais do paciente, sempre com acompanhamento hospitalar.
Por essa razão, a orientação da Sesa é procurar atendimento médico imediatamente ao perceber os primeiros sintomas, principalmente se houve contato recente com ambientes que possam abrigar roedores silvestres, como áreas rurais, galpões e locais com mato alto.
A prevenção é a melhor forma de evitar a doença. As autoridades de saúde recomendam evitar o contato com roedores silvestres e adotar medidas simples, mas eficazes, no dia a dia. Manter terrenos limpos e livres de entulhos próximos às residências é fundamental.
Armazenar alimentos em recipientes fechados, usar luvas e calçados fechados durante a limpeza de locais que possam ter roedores, e evitar varrer ambientes fechados e empoeirados são ações cruciais. A Sesa recomenda a limpeza úmida em galpões, silos e paióis para impedir que partículas contaminadas fiquem suspensas no ar, reduzindo o risco de inalação do vírus.