Pico Paraná: Governo Reforça Sinalização Após Desaparecimento de Jovem e Entidades Cobram Mais Segurança em Trilhas

Governo do Paraná reforça sinalização no Pico Paraná após jovem se perder, gerando debate sobre a segurança em trilhas e gestão de parques.

O desaparecimento de Roberto Farias Tomaz, que passou cinco dias perdido no Pico Paraná, intensificou o debate sobre a segurança em trilhas e a sinalização nas unidades de conservação do estado. Seu resgate, felizmente com vida, trouxe à tona os desafios enfrentados tanto pela gestão pública quanto pelos montanhistas.

Em resposta ao ocorrido, o Instituto Água e Terra (IAT) anunciou medidas para reforçar a sinalização em áreas críticas, incluindo o acesso irregular utilizado por Roberto. O órgão também destacou os investimentos já realizados e as dificuldades impostas pelo vandalismo e pela vasta extensão das áreas protegidas.

Contudo, o episódio reacendeu antigas críticas de entidades como a Federação Paranaense de Montanhismo (Fepam), que aponta para um “descaso” na gestão dos parques de montanha. A situação, conforme informação divulgada pelo g1, ressalta a urgência de um diálogo mais efetivo entre os órgãos gestores e as associações especializadas.

Sinalização Reforçada e os Desafios do IAT

O diretor do IAT, em declaração, afirmou que o governo está investindo em infraestrutura e na sinalização das Unidades de Conservação. Ele mencionou que há um orçamento de cerca de R$ 50 milhões destinados a essas melhorias em 74 unidades de conservação, das quais quase 40 recebem visitação.

Apesar dos esforços, o diretor reconheceu que há desafios significativos. “Não tem como colocar sinalização em todas as áreas”, detalhou, citando o vandalismo recorrente como um obstáculo para a manutenção das estruturas e da segurança em trilhas. A extensão das áreas também dificulta a cobertura completa.

Especificamente no complexo do Pico Paraná, o IAT informou que as trilhas já são sinalizadas, mas o reforço será implementado nos próximos dias. Um plano de uso público, com a segurança como pilar central, está em vigor, buscando orientar os visitantes e garantir a segurança.

Críticas e o Relato do Jovem Resgatado

A Federação Paranaense de Montanhismo (Fepam) divulgou uma nota pública criticando o que chamou de “descaso com os parques de montanha do Paraná”. A Federação cobra mais diálogo com o IAT, com quem mantém um Termo de Cooperação Técnica há mais de cinco anos para apoio voluntário em mutirões, controle de acessos e combate a incêndios.

A Fepam acusa o IAT de tomar decisões unilateralmente, por pessoas com pouca experiência em gestão de Unidades de Conservação e montanhismo. Segundo a entidade, a má gestão tem se acentuado nos últimos anos, resultando em aumento de casos de pessoas perdidas, vandalismo e degradação das trilhas, comprometendo a segurança.

Roberto Farias Tomaz, o jovem resgatado, relatou à RPC que se perdeu ao se confundir com a sinalização. Ele descreveu uma encruzilhada onde um lado estava sinalizado com uma embalagem de garrafa e o outro não. Ao seguir a direção sinalizada, ele escorregou por uma ribanceira, impossibilitado de retornar.

O montanhista Wiliam Domingues esclareceu que as garrafas vistas por Roberto eram, na verdade, um estoque de água para combate a incêndios florestais. Ele apontou a falta de um manejo correto por parte do parque, mencionando que o incidente de Roberto ocorreu no mesmo local onde outra pessoa se perdeu em 2022, evidenciando a necessidade de uma sinalização mais eficaz e recorrente para a segurança em trilhas.

A Importância da Segurança e o Cadastro de Visitantes

Após o incidente, o IAT reforçou a importância de seguir medidas de segurança ao visitar parques estaduais. Uma das regras fundamentais é o preenchimento obrigatório do cadastro de visitantes na entrada dos locais, geridos pelo órgão.

Conforme o IAT, Roberto e sua amiga acessaram o Pico Paraná por uma entrada secundária, com o parque fechado, sem realizar o cadastro. Essa medida é crucial, pois exige que os visitantes forneçam dados pessoais, contatos de emergência e informações sobre o passeio, facilitando ações de resgate em caso de emergência.

O descumprimento do cadastro pode resultar em multas de R$ 500 a R$ 10 mil, de acordo com um decreto federal. Em Unidades de Conservação montanhosas, como o Parque Estadual do Pico Paraná, o cadastro é ainda mais vital, dada a complexidade e os riscos inerentes às trilhas de alta dificuldade, reforçando a necessidade de sinalização clara.

No momento do cadastro, os visitantes recebem um termo de ciência de risco e orientações sobre equipamentos de segurança, preparo físico e a recomendação de contratar guias ou ir em grupos de no mínimo três pessoas. Essas medidas visam garantir a segurança em trilhas e minimizar os riscos.

A Cronologia do Desaparecimento e o Resgate

Roberto iniciou a trilha do Pico Paraná em 31 de dezembro, acompanhado de uma amiga, com o objetivo de presenciar o primeiro nascer do sol de 2026 no ponto mais alto do Sul do Brasil. Após alcançarem o cume e descansarem, iniciaram a descida com um grupo por volta das 6h30 do dia 1º de janeiro.

Em um ponto antes do acampamento base, Roberto se separou do grupo. Momentos depois, um segundo grupo passou pelo local, mas não o encontrou. O analista jurídico Fabio Sieg Martins, que estava em um dos grupos, acionou os bombeiros ao perceber o desaparecimento de Roberto na base do morro.

As buscas começaram em 1º de janeiro, envolvendo bombeiros, voluntários, drones, rapel e câmeras térmicas. Equipes do GOST, do Corpo de Socorro em Montanha (Cosmo) e corredores de montanha do Clube Paranaense de Montanhismo (CPM) participaram ativamente do resgate, que durou cinco dias.

Roberto foi encontrado com vida após percorrer cerca de 20 quilômetros, chegando a uma fazenda em Antonina, onde conseguiu pedir ajuda. Ele foi levado ao Hospital Municipal de Antonina para reidratação e exames, recebendo alta e sendo recebido em casa com uma festa surpresa, um final feliz para uma jornada perigosa, que reforça a discussão sobre a segurança em trilhas e a importância de uma boa sinalização.

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