Pouso Alegre em crise previdenciária: o IPREM registra déficit anual de R$ 17,5 milhões, agravado por perdas e pressão, exigindo reforma urgente para salvar as aposentadorias.
O Instituto de Previdência Municipal de Pouso Alegre (IPREM) está imerso em uma grave crise financeira, que culminou em um déficit anual de cerca de R$ 17,5 milhões apenas no último ano. A situação, já delicada, foi acentuada por um prejuízo milionário em um fundo imobiliário ligado ao Banco Master, que foi liquidado.
Este cenário de desequilíbrio financeiro não é recente, mas a recente prestação de contas expôs a urgência da situação. A previdência municipal enfrenta um desafio crescente para honrar os compromissos com seus beneficiários, gerando preocupação em toda a cidade.
A comunidade de Pouso Alegre e os servidores públicos observam com apreensão o futuro das aposentadorias, em meio a debates sobre possíveis soluções e a necessidade premente de uma reforma, conforme informações divulgadas pelo g1.
Prejuízo Milionário e o Desequilíbrio Crônico do IPREM
O IPREM de Pouso Alegre registrou um prejuízo de quase R$ 8 milhões em um fundo imobiliário atrelado ao Banco Master, que teve sua liquidação decretada pelo Banco Central. Este valor se soma a um déficit anual de aproximadamente R$ 17,5 milhões, evidenciando a fragilidade das contas do instituto.
O balanço financeiro do ano passado, ao qual a EPTV teve acesso, revelou que o IPREM arrecadou pouco mais de R$ 82 milhões em contribuições. Contudo, os gastos com pagamentos de aposentadorias e pensões ultrapassaram os R$ 99,8 milhões no mesmo período, criando uma lacuna significativa.
Daniel Ribeiro Vieira, presidente do instituto, confirmou que o desequilíbrio financeiro persiste desde 2021. Ele explica que, mensalmente, é necessário retirar entre R$ 1,5 milhão e R$ 2 milhões de fundos líquidos, aplicados em grandes bancos, para cobrir as despesas com aposentadorias e pensões.
Ameaça Crescente às Aposentadorias Municipais de Pouso Alegre
Atualmente, o IPREM atende a 2.216 beneficiários, incluindo aposentados e pensionistas. A pressão sobre as finanças do instituto tende a crescer, pois outros 210 servidores estão aptos a se aposentar nos próximos dois anos, o que ampliará ainda mais as despesas.
Para tentar mitigar o problema, a alíquota de contribuição dos servidores foi elevada de 11% para 14% em 2020. Quatro anos depois, o repasse patronal da Prefeitura e da Câmara também foi reajustado, passando de 14% para 17,3%.
Além disso, a Prefeitura de Pouso Alegre realiza um aporte suplementar mensal para auxiliar na cobertura dos déficits. Em 2023, esse repasse representou 27,29% da folha, e neste ano, segundo o IPREM, aumentou para 28%.
O presidente do instituto ressalta que, para equilibrar as contas, seria necessário um aumento ainda maior. Ele afirmou que “para equacionar o déficit, a contribuição teria que ficar entre 55% e 60% da folha dos servidores ativos”, ou o município deveria implementar uma reforma da Previdência.
O Fantasma da Operação Encilhamento e o Risco de Colapso
A crise atual do IPREM de Pouso Alegre remonta a problemas antigos, incluindo a Operação Encilhamento da Polícia Federal. Entre 2011 e 2017, o instituto aplicou R$ 182 milhões em 17 fundos de um mesmo conglomerado, todos com sérios problemas financeiros.
O caso mais recente de prejuízo, envolvendo o Banco Master, é um reflexo dessa história. Dos R$ 10 milhões aplicados em um fundo imobiliário em 2013, hoje restam apenas R$ 2,1 milhões em valor contábil, uma perda substancial.
Oliveira Altair Amaral (Republicanos), presidente da Câmara de Vereadores, acompanhou a prestação de contas e alertou para a gravidade da situação. Ele afirmou categoricamente: “Se nada for feito, em 14 anos o IPREM afunda.”
Amaral enfatiza a importância de uma reforma previdenciária e a ação conjunta do Executivo e do IPREM para “garantir que os aposentados continuem recebendo”. A presidente do sindicato dos profissionais da educação, Dulcinéia Costa, também expressou preocupação com o aumento de aposentadorias e a menor entrada de novos servidores.
Diálogo e Busca por Soluções Urgentes para o IPREM
Diante do cenário crítico, a Prefeitura de Pouso Alegre informou que mantém um diálogo constante com o IPREM. A administração municipal está realizando estudos técnicos detalhados para avaliar as alternativas possíveis.
O objetivo é buscar soluções eficazes para garantir a sustentabilidade do instituto e assegurar o futuro das aposentadorias dos servidores públicos de Pouso Alegre. A urgência de uma reforma previdenciária é o ponto central das discussões para evitar o colapso do sistema.