Preconceito velado: Pesquisa revela que muitos acham que quem passou dos 50 não combina com as últimas tendências da moda e sofre etarismo no trabalho

Nova campanha contra o etarismo expõe atitudes discriminatórias, mostrando que a idade ainda é barreira para moda, tecnologia e empregos, impactando a qualidade de vida de quem passou dos 50 anos.

Um estudo recente traz à tona um preconceito persistente na sociedade, a ideia de que pessoas com mais de 50 anos não deveriam seguir as últimas tendências da moda. Essa percepção é apenas a ponta do iceberg de um problema maior, o etarismo, que afeta diversas áreas da vida dos indivíduos maduros.

Além da moda, o etarismo se manifesta de forma preocupante no mercado de trabalho, na adaptação a novas tecnologias e até mesmo nas crenças sobre o declínio cognitivo. Essas atitudes limitam oportunidades e reforçam estereótipos prejudiciais.

As descobertas fazem parte de uma nova pesquisa da organização britânica Centre for Ageing Better, que lançou a terceira edição de sua campanha anual “Age Without Limits” (Idade Sem Limites) para combater o preconceito de idade, conforme informação divulgada pelo G1.

Moda sem idade: Onde começa o ‘limite’ para as tendências?

Os dados do levantamento são claros e alarmantes. Para dois terços dos 4 mil entrevistados, as pessoas deveriam, de fato, abrir mão de seguir as tendências da moda por volta dos 56 anos. Chocantemente, um em cada dez participantes do estudo acredita que esse “limite” de idade deveria ser ainda mais cedo, aos 40 anos.

Essa mentalidade reflete uma visão limitada da moda, que deveria ser uma forma de expressão pessoal, livre de barreiras etárias. O preconceito contra quem tem mais de 50 anos na moda não apenas restringe escolhas, mas também mina a confiança e a autoestima de muitos.

Etarismo no mercado de trabalho e percepções sobre tecnologia e mente

O etarismo não se restringe ao guarda-roupa. No campo profissional, as notícias também não são animadoras. A pesquisa aponta que, aos 55 anos, um candidato a emprego já deixaria de ser considerado “desejável”, evidenciando uma barreira significativa para a reinserção ou manutenção no mercado de trabalho.

Quando o assunto é tecnologia, a percepção também é distorcida. A idade média em que os entrevistados imaginam que alguém tem dificuldade em se adaptar a novas tecnologias é aos 61 anos. No entanto, dados reais mostram que pessoas acima dos 70 anos passam mais tempo online do que qualquer outra geração, com exceção da Geração Z, desmentindo o estereótipo.

Há também uma crença de que o declínio cognitivo começa aos 63 anos, três anos antes do chamado “envelhecimento precoce” do cérebro e mais de 20 anos antes do envelhecimento tardio. Essa percepção equivocada demonstra um preconceito enraizado sobre as capacidades mentais de pessoas mais velhas.

Reflexos do preconceito: Quem mais acredita no etarismo?

Interessantemente, o levantamento apresenta diferenças na probabilidade de atitudes etaristas dependendo das faixas etárias. A faixa etária com maior probabilidade de pensar que alguém deixa de ser um candidato desejável na faixa dos 50 anos foi a compreendida entre os 45 e 54 anos, com 41% dos entrevistados.

Essa constatação é um reflexo do próprio idadismo que esse grupo vivencia no mercado de trabalho, mostrando como o preconceito pode ser internalizado e replicado. No grupo entre 45 a 54 anos, 23% acreditam que o declínio cognitivo começa aos 50 anos.

Contudo, na faixa de 55 a 64 anos, o índice cai para 13%. Esse dado é um possível indicador de que tais receios não se confirmam quando se chega à idade mais avançada, e a experiência pessoal desmistifica o preconceito.

Combate ao etarismo: Uma luta pelo ‘eu futuro’

Carole Easton, diretora executiva do Centre for Ageing Better, ressalta a importância de combater o etarismo. “Esse é um preconceito contra o nosso eu futuro, pois todos esperamos envelhecer um dia”, afirmou ela, destacando a universalidade do problema e a necessidade de uma mudança de mentalidade.

Easton enfatiza que o idadismo restringe o trabalho, a saúde, os relacionamentos, a ambição e a confiança. “Em última análise, determina quais vidas são consideradas dignas de atenção”, concluiu, sublinhando o impacto profundo do preconceito na sociedade e na vida de quem passou dos 50 anos.

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