Cafeicultores do Sul de Minas enfrentam incerteza após fechamento de armazém e cooperativa, com bens do empresário bloqueados judicialmente.
Dezenas de famílias de cafeicultores de Muzambinho e cidades vizinhas, como Monte Belo, Nova Resende e Cabo Verde, em Minas Gerais, vivem um drama que se arrasta há um ano, aguardando o pagamento por suas sacas de café depositadas em um armazém que encerrou as atividades.
O caso, que envolve prejuízos milionários, teve início com o fechamento da Central do Café e da Cooperativa Central de Muzambinho (Coocem), deixando os produtores de café sem informações claras sobre seus produtos e valores devidos.
A situação gerou grande mobilização na região, com o processo judicial em andamento buscando soluções para os pagamentos pendentes, conforme informações divulgadas pelo g1.
O Início do Problema e o Fechamento da Cooperativa
A dívida da Cooperativa Central de Muzambinho (Coocem) começou a se acumular em 2016, envolvendo cerca de 15 mil sacas de café. A Central do Café, que comprava e vendia café na região, e a Coocem, ambas administradas por Creúcio Carlos de Oliveira, funcionavam no mesmo endereço, o que levantou suspeitas entre os cafeicultores.
Após o fechamento, o empresário chegou a se reunir com os produtores de café, afirmando que realizaria o pagamento dos valores. Em uma assembleia, Creúcio declarou que pretendia pagar 30% dos valores assim que conseguisse vender bens da empresa, prometendo: “Todo mundo vai receber 30% a partir do momento que vender. Se conseguirmos vender os bens até a safra, todo mundo vai receber. Isso é querer pagar”.
Ação Judicial e o Bloqueio de Bens
O advogado Thiago de Lima Dini, que representa 20 produtores de café, explicou que, embora não tenham sido encontrados bens em nome da empresa ou da cooperativa, a Justiça determinou o bloqueio de patrimônios registrados em nome do empresário Creúcio Carlos de Oliveira. Este é um passo crucial para tentar reaver os valores.
O processo judicial aguarda a apresentação de documentos fiscais da Central do Café e da Coocem para que seja realizada uma perícia contábil detalhada. O objetivo é comparar a documentação das pessoas jurídicas com a declaração de imposto de renda do empresário, buscando comprovar uma confusão patrimonial.
Segundo o advogado, isso é necessário para permitir a desconsideração da pessoa jurídica, um trâmite que fará o processo avançar para a fase de cobrança e liquidação dos valores. O juiz da comarca de Muzambinho, Flávio Schmit, confirmou que os processos estão em andamento e em fase de conclusão de provas.
Defesa Se Manifesta e Sindicato Alerta Produtores
O advogado de Creúcio, José Geraldo Jardim, confirmou que nenhum produtor de café recebeu pagamento até o momento, mas assegurou que a defesa trabalha para que todos sejam indenizados igualmente. Ele afirmou que “Todos os valores estão depositados e fazemos gestão para que continuem depositados. O objetivo não é um receber antes do outro. O senhor Creúcio quer pagar o quanto antes”.
A defesa também mencionou que houve uma tentativa de acordo, mas a proposta não avançou. Diante da proximidade da colheita do café, prevista para maio, o Sindicato dos Produtores Rurais de Muzambinho reforça a importância da atenção redobrada na documentação referente ao armazenamento da produção.
Rodrigo de Almeida Machado, presidente do sindicato, alertou: “O produtor tem que se precaver, tirando nota fiscal de remessa, compra e venda. É isso que garante o comprovante de que o café está depositado nos armazéns”. Ele ainda ressaltou que este é o terceiro ou quarto problema com instituições de café na região, enfatizando que “O produtor precisa ter provas fiscais”.