Jovem de 17 anos relata comentários invasivos, toques sem consentimento e manipulação, enquanto a polícia do Distrito Federal apura os graves crimes e o Conselho de Educação Física se manifesta.
Um caso grave de denúncia de assédio sexual e violência psicológica envolvendo um professor de jiu-jítsu no Distrito Federal tem gerado grande repercussão. Uma adolescente de 17 anos veio a público relatar uma série de abusos que teriam sido cometidos pelo treinador, abalando a comunidade esportiva local.
Os relatos da jovem detalham um padrão de comportamento invasivo e inadequado, que a levou a buscar proteção legal e a interromper sua prática esportiva. A situação levanta sérias questões sobre a segurança de atletas e a conduta de profissionais do esporte.
As autoridades já estão investigando o caso, que tramita sob segredo de Justiça, conforme informações divulgadas pelo g1.
As Denúncias da Adolescente: Comentários e Toques Indesejados
A adolescente de 17 anos, cuja identidade foi preservada, detalhou ao g1 uma série de episódios que teriam começado após uma mudança em sua vida. Segundo seu relato, o professor de jiu-jítsu, identificado como Carlos Umbelino, passou a fazer perguntas de cunho íntimo e comentários sobre seu corpo.
“Ele começou a me perguntar com quantos caras eu já tinha ficado, quais propostas já teve pra mim, se eu já tinha ficado com homens mais velhos. Esse tipo de coisa”, afirmou a vítima, evidenciando a natureza invasiva das conversas.
Em um momento chocante, a jovem relatou que o treinador teria dito: “Que homem não teria atração sexual por você?”. Ela expressou seu espanto, pois via o professor como uma figura paterna, o que intensificou o sentimento de traição e desconforto.
Outro incidente grave ocorreu quando a adolescente saía do banho usando um roupão. Ela afirma ter sido agarrada pelo professor, que teria justificado o ato como uma “brincadeira” relacionada a um golpe de jiu-jítsu conhecido como “mata-leão”. A jovem pediu para ele parar, mas a ação só cessou com a chegada da esposa do agressor.
As Medidas Tomadas e a Investigação Policial
Diante da gravidade das acusações, a ocorrência foi registrada na 27ª Delegacia de Polícia do Distrito Federal. A Polícia Civil do DF (PCDF) está encarregada de apurar os crimes de tentativa de assédio sexual, violência psicológica contra a mulher e infrações previstas na Lei Maria da Penha.
A vítima conseguiu uma medida protetiva contra Carlos Umbelino e, desde os episódios, deixou a casa onde morava com a família, retornando para a residência da mãe. Ela também abandonou os treinos de jiu-jítsu e está recebendo acompanhamento psiquiátrico.
A mãe da adolescente expressou sua angústia, acreditando que ela e a filha foram manipuladas. “Ele soube manipular muito bem eu e ela. Fazia oração dentro da minha casa, pregava no altar”, desabafou, ressaltando a complexidade da relação e a confiança depositada no agressor.
Professor sem Registro no Conselho e a Posição do CREF
Além das denúncias de assédio sexual, o caso revelou uma irregularidade profissional. O Conselho Regional de Educação Física (CREF) informou que Carlos Umbelino, o professor de jiu-jítsu denunciado, não possui registro profissional ativo na entidade. Essa informação é crucial para a avaliação da conduta e qualificação do profissional.
Patrick Aguiar, presidente da Câmara de Ética Profissional do Conselho Federal de Educação Física, afirmou que o caso será apurado internamente, embora os processos éticos sejam sigilosos. Ele também reforçou a importância de verificar a formação e o registro em conselhos de classe ao contratar serviços de exercício físico.
Procurado pela reportagem do g1, Carlos Umbelino declarou que só irá se manifestar publicamente ao término das investigações, que correm sob segredo de Justiça, mantendo-se em silêncio por enquanto sobre as graves acusações de assédio sexual e violência psicológica.