Uma simples pergunta por um cigarro em bar na Rua 13 de Maio, Bixiga, Centro de SP, desencadeou grave agressão e alegações de legítima defesa na madrugada de domingo.
Uma publicitária de 34 anos foi agredida durante a madrugada do último domingo, 22 de outubro, em uma confusão que começou em um bar na movimentada Rua 13 de Maio, no bairro Bixiga, região central de São Paulo.
O incidente teria se iniciado após a mulher pedir um cigarro ao dono do estabelecimento, o que gerou uma acusação da esposa dele, também proprietária do local, de que a publicitária estaria “dando em cima” de seu marido.
A agressão resultou em lesões no olho e nariz da vítima, que registrou um boletim de ocorrência por lesão corporal e realizou exame de corpo de delito. A comerciante, por sua vez, confessou a agressão, alegando legítima defesa e provocação, conforme informação divulgada pelo g1.
A confusão inicial e as primeiras agressões
Vivian Cardoso, a publicitária, relatou que estava retornando de um bloco de carnaval na Barra Funda e, com uma amiga, parou na frente de um bar onde a amiga conhecia o proprietário. A rua 13 de Maio é conhecida por seus diversos bares e intensa movimentação.
“A rua 13 de Maio é cheia de bares. Minha amiga e eu passamos em um onde ela conhecia o dono do bar de vista. Então, eu fui falar com ele porque estava procurando cigarro e perguntei: e aí, tem cigarro?”, contou Vivian.
A reação da esposa do dono do bar, que estava ao lado, foi imediata e agressiva. “Está querendo cigarro e fica dando em cima de marido?”, teria dito a comerciante, segundo o relato de Vivian.
A publicitária afirma que tentou encerrar a conversa e se afastar. “Eu falei que não era isso e saí andando. Mas aí ela veio pra cima de mim, me arranhou e eu caí no chão. O pessoal separou e até o marido dela falou: não, nada a ver, você não estava dando em cima.”
A escalada da violência e o segundo ataque
Após a primeira confusão, Vivian e sua amiga seguiram para outro bar, onde acontecia a festa de aniversário de um amigo. Foi lá que Vivian percebeu que seu olho começava a ficar roxo, um sinal claro da agressão sofrida.
Mais tarde, em outro bar, a publicitária foi novamente confrontada pela mulher do dono do bar e suas amigas. “Eu nem sabia quem eles eram direito e minha amiga que me avisou que estavam nos olhando”, disse a vítima, que tentou evitar o contato.
Mesmo tentando se manter afastada, a mulher afirma que foi novamente provocada. A agressora chegou a arremessar uma garrafa de vidro, tipo long neck, que não atingiu Vivian, pois ela já estava do outro lado da rua.
“Depois, ela falou que ia me arregaçar. Eu caí no chão e vieram duas amigas dela. Eu fiquei no chão sendo agredida o tempo todo. O marido dela segurou minha amiga para não me ajudar”, detalhou Vivian sobre a agressão sofrida.
A publicitária assegura que não reagiu à violência. “Eu não agredi ninguém. Fiquei me segurando, com a mão no rosto, para não machucar a minha vista. Eu tenho 15 graus de miopia. A lente do olho esquerdo saiu.”
A violência só parou com a chegada de amigos da vítima. “A minha sorte que três amigos nossos voltaram e me ajudaram. Eles só pararam porque eles chegaram”, ressaltou Vivian Cardoso.
Após o ocorrido, Vivian procurou atendimento médico, passou por um hospital, realizou exame no Instituto Médico Legal (IML) e registrou um boletim de ocorrência por lesão corporal. No registro policial, ela autorizou a fotografia das lesões e manifestou a intenção de representar criminalmente contra a agressora.
A versão da comerciante e a alegação de legítima defesa
Em sua defesa, a dona do estabelecimento, cuja identidade não foi revelada, afirmou ao g1 que agiu em legítima defesa. “Defendi minha dignidade, minha honra. Ela me insultou por diversas vezes e eu só me defendi”, declarou a comerciante.
Ainda segundo a comerciante, a situação não ocorreu da forma como Vivian relatou, e ela pretende processar a publicitária por difamação. “Não aconteceu nada do jeito que ela falou. Ela está querendo me prejudicar”, concluiu a proprietária do bar.