Lesões como a de Ravi, filho de Viih Tube, atingem camadas profundas da pele, formam bolhas e podem demandar cirurgia, principalmente em mãos e bebês.
O filho da influenciadora Viih Tube e de Eliezer, Ravi, de apenas um ano, precisou de internação e cirurgia após sofrer uma queimadura de segundo grau na mão ao encostar no motor de um buggy. A notícia trouxe à tona a preocupação com a gravidade dessas lesões em crianças pequenas, que exigem atenção redobrada.
As imagens divulgadas pela família mostram a mão do bebê coberta por bolhas, um sinal claro de que a lesão ultrapassou a camada mais superficial da pele. Este tipo de queimadura, embora comum, pode ser particularmente perigoso para os pequenos.
Para esclarecer o que caracteriza a queimadura de 2º grau em crianças e por que ela pode demandar intervenções mais complexas, o g1 detalhou as particularidades dessas lesões, conforme informações da dermatologista Sarah Thé Coelho.
Entenda o que é uma Queimadura de Segundo Grau
A dermatologista Sarah Thé Coelho explica que a queimadura de segundo grau atinge não apenas a epiderme, a camada mais externa da pele, mas também a derme, que fica logo abaixo. Isso a torna mais profunda do que a queimadura de primeiro grau, que geralmente causa apenas vermelhidão e ardor.
As bolhas, um sinal típico desse tipo de lesão, indicam que houve uma separação entre as camadas da pele, com acúmulo de líquido inflamatório. “É um sinal fisiológico de que a queimadura foi mais profunda do que uma lesão superficial”, afirma Sarah, destacando a seriedade da condição.
A dor costuma ser mais intensa porque a derme concentra terminações nervosas e pequenos vasos sanguíneos. Além disso, a perda da barreira natural da pele facilita infecções, aumentando o risco de complicações e dificultando o controle da inflamação.
Por Que Queimaduras São Mais Graves em Bebês e nas Mãos?
Mesmo queimaduras aparentemente limitadas merecem atenção redobrada em crianças pequenas. A pele infantil é mais fina e sensível, o que facilita a penetração do calor em camadas mais profundas e aumenta o risco de infecção. “Por isso, qualquer queimadura em bebês pode se tornar mais grave”, alerta Sarah Thé Coelho.
Embora a pele da criança tenha uma grande capacidade de regeneração, a inflamação é mais rápida. Se o tratamento não for adequado desde o início, o risco de cicatrizes e retrações cresce, especialmente em áreas funcionais como as mãos, que exigem cuidado especial.
As mãos, por terem muitas articulações, dobras e estarem em constante uso, aumentam tanto o risco de infecção quanto de uma cicatrização inadequada. Isso pode levar à limitação de movimentos, um quadro preocupante para o desenvolvimento e a qualidade de vida da criança.
A Cirurgia de Desbridamento e a Recuperação
Em alguns casos de queimadura de 2º grau em crianças, o tratamento clínico não é suficiente e a cirurgia de desbridamento se faz necessária. Esse procedimento é indicado quando há tecidos mortos ou muito danificados que impedem a cicatrização adequada e elevam o risco de infecção.
Mais do que apenas retirar a pele comprometida, o desbridamento prepara o local para a cicatrização. “Ele reduz a inflamação, diminui complicações e permite que a pele saudável se regenere melhor”, explica a dermatologista, ressaltando a importância da intervenção.
Após o procedimento, a pele pode se regenerar totalmente, o que acontece com mais facilidade em crianças. Contudo, o resultado final depende da profundidade da queimadura e de um acompanhamento médico contínuo. Existe risco de cicatrizes permanentes ou restrição de movimento, principalmente nas mãos.
Para prevenir sequelas, são essenciais curativos adequados, acompanhamento dermatológico e, em alguns casos, fisioterapia. “O cuidado correto desde o início faz toda a diferença no resultado final”, conclui Sarah Thé Coelho, enfatizando a necessidade de um tratamento precoce e completo para a queimadura de 2º grau em crianças.