Ações russas buscam aliviar a grave escassez de combustível na ilha caribenha, profundamente afetada por sanções americanas contra Havana e Caracas.
A Rússia anunciou o envio de petróleo bruto e combustível para Cuba, uma medida crucial para mitigar a severa crise energética enfrentada pela ilha. Esta decisão ocorre em um momento de intensas sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos, que impactaram diretamente o fornecimento de combustíveis.
A escassez de petróleo em Cuba agravou-se após o bloqueio americano à importação de petróleo venezuelano, do qual a economia cubana é altamente dependente. O governo Trump cortou o fluxo da commodity, alegando ações contra o regime de Nicolás Maduro.
Diante do cenário de racionamento e apagões, o Kremlin criticou as táticas de Washington, acusando os EUA de tentar “sufocar” a economia cubana. As informações foram divulgadas pelo g1.
A Crise de Combustível em Cuba e as Sanções Americanas
Cuba tem enfrentado uma das suas piores crises de combustível, resultado direto das sanções impostas pelos Estados Unidos. O governo Trump intensificou a pressão sobre Havana, visando cortar o fornecimento de petróleo da Venezuela, tradicionalmente um dos principais parceiros energéticos da ilha.
Essa ação incluiu a imposição de tarifas contra países que exportam petróleo para Cuba, agravando a situação. A dependência cubana do petróleo venezuelano tornou a ilha particularmente vulnerável a essas medidas coercitivas.
Com a interrupção do fluxo, o país viu-se obrigado a adotar um plano de racionamento de combustíveis, priorizando setores essenciais como saúde, defesa e abastecimento de alimentos e água. A escassez tem provocado apagões e um impacto significativo na vida cotidiana.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, expressou a preocupação russa, afirmando: “A situação em Cuba é de fato crítica. Temos consciência disso. Mantemos contatos intensivos com nossos amigos cubanos por meio de canais diplomáticos e outros”. Ele criticou as “táticas sufocantes” dos EUA.
O Apoio Russo e o Cenário Geopolítico
A decisão da Rússia de fornecer petróleo e combustível a Cuba reforça os laços históricos entre os dois países, que remontam à era soviética. Moscou tem sido um aliado constante de Havana, e este envio de energia é um sinal claro de apoio em momento de grande dificuldade.
O embaixador russo em Cuba, Viktor Coronelli, já havia confirmado que Moscou tem fornecido petróleo repetidamente nos últimos anos e continuará a fazê-lo. Isso sublinha a continuidade do apoio estratégico russo.
Dmitry Peskov reiterou o compromisso russo em ajudar Cuba, declarando: “As táticas sufocantes empregadas pelos Estados Unidos estão, de fato, causando muitas dificuldades ao país. Estamos discutindo com nossos amigos cubanos possíveis formas de resolver esses problemas ou, ao menos, de oferecer toda a assistência possível”.
Apesar de a Rússia buscar restaurar laços com os EUA, o Kremlin deixou claro seu descontentamento com a forma como Washington trata Cuba. Este apoio energético pode ser interpretado como um movimento geopolítico que desafia a influência americana na região, ao mesmo tempo em que fortalece a presença russa no hemisfério ocidental.
Medidas de Racionamento e Respostas Cubanas
Diante da iminente escassez, o governo cubano anunciou um plano de contingência para gerenciar o fornecimento de combustível. O ministro do Comércio, Oscar Fraga-Pérez, detalhou que o uso será priorizado para serviços essenciais, como saúde e defesa, além dos sistemas de abastecimento de alimentos e água.
Os setores agrícola e de turismo também receberão atenção prioritária para minimizar os impactos na economia. Para contornar o bloqueio de petróleo imposto pelos EUA, Cuba está explorando novas estratégias, como a descentralização da importação de combustíveis.
O país planeja ainda reforçar os investimentos em produção de energia solar e garantir o pagamento de um salário básico aos trabalhadores estatais durante a crise, conforme afirmou o ministro do Trabalho, Jesus Otamendiz.
Em resposta ao anúncio dos EUA de enviar US$ 6 milhões em ajuda humanitária, o vice-ministro das Relações Exteriores cubano, Carlos Fernández de Cossio, classificou a medida como hipócrita. “É bastante hipócrita aplicar medidas coercitivas draconianas, negando condições econômicas básicas a milhões de pessoas, e depois anunciar sopa e comida enlatada para poucos”, escreveu de Cossio, evidenciando a tensão diplomática.