Em um gesto conciliador em meio à forte pressão americana, o governo venezuelano libertou 88 detidos, enquanto o presidente Nicolás Maduro se mostra disposto a conversar com Donald Trump sobre narcotráfico e petróleo.
A Venezuela anunciou nesta quinta-feira, 1º de janeiro de 2026, a libertação de 88 pessoas que estavam presas por protestarem contra a contestada vitória do presidente Nicolás Maduro nas eleições de julho de 2024. Este movimento ocorre em um momento de intensa pressão dos Estados Unidos sobre o regime venezuelano.
A ação é interpretada como um sinal de boa vontade por parte de Caracas, que tem sido alvo de acusações e sanções por parte do governo de Donald Trump. O presidente venezuelano, por sua vez, evitou comentar um recente ataque americano em seu território, mas expressou abertura para o diálogo com Washington.
A situação dos presos políticos e a escalada de tensões entre os dois países dominam o cenário, com o líder venezuelano buscando uma aproximação em temas como narcotráfico e migração, conforme informações divulgadas pelo g1.
Ações Conciliatórias e o Cenário dos Presos Políticos
O anúncio da libertação dos 88 indivíduos marca o mais recente esforço de Caracas para aliviar as tensões. Anteriormente, em 25 de dezembro, o governo já havia libertado 99 prisioneiros, descrevendo a medida como uma “expressão concreta do compromisso do Estado com a paz, o diálogo e a justiça”.
As prisões em questão estão ligadas à violenta repressão imposta por Maduro após sua vitória nas eleições de 2024, quando a oposição contestou os resultados. A repressão resultou na morte de 28 pessoas e na prisão de cerca de 2.400 manifestantes, incluindo dezenas de menores de idade, segundo registros oficiais.
O Ministério da Justiça venezuelano afirmou que os libertados foram detidos por “crimes cometidos durante ações violentas de grupos extremistas”. Contudo, ONGs de direitos humanos, como o Comitê para a Liberdade dos Presos Políticos e o Comitê de Mães em Defesa da Verdade, estimam que cerca de 900 presos políticos ainda permaneçam detidos no país.
O governo venezuelano, por sua vez, mantém a posição de que não existem “presos políticos”, mas sim “políticos presos”, acusando os detidos de tentarem desestabilizar o país.
A Intensificação da Pressão dos Estados Unidos
A postura mais conciliadora de Nicolás Maduro surge em um contexto de crescente pressão por parte do governo do presidente Donald Trump. Washington acusa o líder venezuelano de apoiar o narcotráfico, o terrorismo e outros crimes, aumentando as ameaças de ação militar na região.
Desde agosto, os EUA intensificaram sua presença no Caribe com o envio de uma força naval. A Casa Branca autorizou ataques a embarcações suspeitas de transportar drogas, apreendeu navios petroleiros alvos de sanções e fechou parcialmente o espaço aéreo venezuelano.
Na semana passada, Trump anunciou que forças americanas atingiram e destruíram um porto supostamente usado para carregamento de barcos venezuelanos por traficantes. Este incidente é considerado o primeiro ataque terrestre na Venezuela dentro da campanha militar dos EUA contra o narcotráfico e para pressionar o regime de Maduro.
Maduro Evita Confronto e Busca Diálogo
Em entrevista à emissora estatal venezuelana nesta quinta-feira, Maduro optou por não comentar diretamente o ataque americano. Ele, no entanto, reiterou sua abertura para a cooperação com Washington, afirmando: “Onde eles quiserem e quando eles quiserem”, sobre a possibilidade de diálogo.
O presidente venezuelano indicou que conversaria sobre temas como narcotráfico, petróleo e migração com o governo americano. Questionado diretamente sobre a confirmação ou negação do ataque, ele disse que “isso pode ser algo sobre o qual conversaremos em alguns dias”.
Maduro insistiu que a Venezuela conseguiu se defender bem durante a campanha militar dos EUA no mar e que “nosso povo está seguro e em paz”. Ele também mencionou uma conversa “cordial e respeitosa” com Trump em 12 de novembro, expressando esperança por um diálogo sério sobre o combate ao narcotráfico.
Especulações sobre o Ataque Americano em Maracaibo
O presidente colombiano, Gustavo Petro, alimentou os rumores sobre o local do ataque americano. Ele afirmou que Trump bombardeou uma fábrica em Maracaibo, onde, segundo Petro, “eles misturam pasta de coca para fazer cocaína”, o que aumentou a especulação sobre a localização exata do alvo.
A declaração de Petro levou a especulações nas redes sociais de que um incêndio nos armazéns da distribuidora atacadista de produtos químicos Primazol, em Maracaibo, poderia estar relacionado ao ataque. Contudo, o presidente da empresa negou qualquer conexão entre o incêndio e o incidente relatado.