Tocantins em alerta: 28 tremores de terra abalaram o estado em 10 anos, com o mais forte em Talismã. Especialista da USP explica o que está acontecendo!

Entenda a frequência e a intensidade dos abalos sísmicos no coração do Brasil, e por que esses tremores de terra, embora assustem, raramente causam grandes estragos na região.

O estado do Tocantins tem sido palco de um fenômeno natural que, embora comum em outras partes do mundo, ainda surpreende seus moradores. Nos últimos dez anos, a região registrou um número significativo de abalos sísmicos.

Esses eventos, caracterizados por suas baixas magnitudes, muitas vezes provocam relatos de vibrações intensas e ruídos misteriosos, gerando curiosidade e certa apreensão entre a população local.

Afinal, o que causa esses movimentos no solo tocantinense e quais os riscos reais para as construções e a segurança dos cidadãos? Conforme informações divulgadas pelo g1, o estado acumulou 28 tremores de terra em uma década.

Os Tremores Mais Fortes e Onde Aconteceram

Entre os registros mais recentes e notáveis, o tremor de terra mais intenso ocorreu em dezembro de 2022, na cidade de Talismã, localizada no sul do Tocantins. Este abalo sísmico atingiu a magnitude de 3,4 e teve uma duração de cerca de 45 segundos.

Moradores de Talismã descreveram o evento como um forte barulho, comparável a um trovão, seguido por vibrações que fizeram janelas, portas e o próprio chão tremerem. A experiência foi marcante para a comunidade.

Outro episódio que chamou a atenção foi em agosto de 2019, quando um tremor de terra de magnitude 3,1 foi registrado no município de Ipueiras. Este evento foi percebido não só em Ipueiras, mas também em cidades vizinhas, como Santa Rosa do Tocantins e Silvanópolis.

Na ocasião, os relatos da população indicaram uma vibração semelhante à passagem de um caminhão pesado. Especialistas apontam que tremores com essas magnitudes geralmente não causam grandes danos, embora possam provocar pequenas rachaduras em algumas estruturas, dependendo da proximidade do epicentro.

Por Que o Tocantins Treme? A Explicação dos Especialistas

Os tremores de terra que acontecem no interior do Brasil são fenômenos irregulares e impossíveis de prever. O sismólogo Bruno Collaço, do Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP), explica que a pressão geológica se acumula lentamente em falhas antigas da Terra.

A liberação dessa energia pode ocorrer em intervalos que variam bastante, de alguns meses a várias décadas. “A sismicidade intraplaca, como a que ocorre no Brasil, é caracteristicamente irregular e imprevisível no tempo”, afirma o sismólogo.

Ele complementa que “no interior do continente, as tensões se acumulam lentamente em falhas geológicas antigas, e a liberação pode ocorrer em episódios separados por meses, anos ou décadas”. Isso explica a dificuldade em antecipar esses eventos.

O Tocantins está localizado no centro de uma placa tectônica, um bloco de rocha que forma o continente. Essa posição confere ao estado uma maior segurança em comparação com países como Japão ou Chile, que se situam nas bordas dessas placas.

No centro das placas, os tremores de terra tendem a ser mais raros e de menor intensidade. Contudo, o risco não é zero. “Em 1955, o Brasil registrou um tremor de magnitude 6,2. O fato mostra que abalos mais fortes podem acontecer no país, mesmo longe das bordas das placas tectônicas”, alerta Bruno Collaço.

Riscos Reais e a Percepção da População

Embora os tremores de terra possam assustar, abalos com magnitude abaixo de 4,0 dificilmente causam rachaduras ou estragos significativos em casas, mesmo nas mais simples. A população geralmente começa a sentir os abalos a partir da magnitude 2,5, percebendo vibrações, barulhos ou objetos se movendo.

No entanto, a força desses tremores não é suficiente para derrubar edifícios. Apesar disso, os sismos são fenômenos impossíveis de prever, e não é possível determinar se as magnitudes podem aumentar no futuro.

Por isso, a contribuição da população é crucial, pois pode reportar tremores sentidos por meio de plataformas específicas, o que auxilia no monitoramento constante desses eventos. Essa colaboração é fundamental para o estudo e a compreensão da atividade sísmica.

Engenharia Civil Brasileira e a Segurança das Construções

A engenharia civil praticada no Brasil é considerada robusta e resistente aos níveis de sismos registrados habitualmente no Tocantins. O estado, de acordo com as diretrizes da norma ABNT NBR 15421, que regulamenta projetos de estruturas resistentes a sismos, encontra-se em uma zona de perigo baixo a moderado.

O maior problema, contudo, reside nas habitações populares e nas construções informais, que muitas vezes não foram projetadas levando em conta essas exigências. Em um cenário de um eventual tremor de terra de maior magnitude, essas construções ficariam mais vulneráveis.

Essa vulnerabilidade já foi observada em outras regiões do Brasil, como no Ceará, em Minas Gerais e no Rio Grande do Norte, onde construções similares sofreram danos em eventos sísmicos. A conscientização e a aplicação de normas são essenciais para a segurança estrutural.

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