Comissão Europeia destaca risco de aumento drástico da inflação e abalos em bolsas mundiais, impulsionados pela paralisação no Estreito de Ormuz.
A União Europeia emitiu um alerta sério sobre as potenciais consequências econômicas de um prolongamento do conflito no Oriente Médio. A Comissão Europeia advertiu para um “grande choque inflacionário”, que poderia desestabilizar a economia global e europeia, caso a situação atual se mantenha.
As preocupações giram em torno das interrupções no tráfego marítimo pelo crucial Estreito de Ormuz e dos possíveis ataques à infraestrutura energética dos Estados do Golfo. Esses fatores já provocam abalos significativos nos mercados financeiros, especialmente no preço do petróleo.
Desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, as bolsas de valores têm registrado quedas acentuadas e os preços do petróleo dispararam. Conforme informações divulgadas pelo g1, essa escalada de tensões sinaliza um período de incerteza econômica global.
Impacto Imediato nos Mercados Globais
Os efeitos do conflito já são visíveis nos mercados financeiros internacionais. Na segunda-feira, 9 de março de 2026, bolsas de valores em todo o mundo registraram quedas significativas. Seul fechou em baixa de 5,96%, enquanto Tóquio recuou 5,2%.
Na Europa, os principais mercados também operaram no vermelho: Paris caiu 2,59%, Frankfurt recuou 2,47%, Londres perdeu 1,57%, Madri cedeu 2,87% e Milão registrou queda de 2,71%. As bolsas de Hong Kong, Xangai, Taipei, Sydney, Singapura, Manila e Wellington também encerraram o pregão em baixa, demonstrando a amplitude do temor.
Nos Estados Unidos, os índices de Wall Street já haviam acumulado uma queda superior a 2% na semana anterior. Em meio a essa incerteza, o dólar recuperou parte de seu valor, sendo considerado um ativo de proteção em momentos de crise.
Disparada dos Preços do Petróleo e o Estreito de Ormuz
O setor energético é o mais afetado pelo conflito. Os preços do petróleo dispararam, com o barril do West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, subindo 12,59% para US$ 102,34, tendo chegado a US$ 119,48 durante a madrugada. O Brent, referência global, avançou 12,04%, atingindo US$ 103,85 por barril após superar a marca de US$ 119.
Valdis Dombrovskis, Comissário Europeu, alertou que se a situação se prolongar, com interrupções no tráfego marítimo no Estreito de Ormuz e ataques à infraestrutura energética dos Estados do Golfo, poderá acabar causando um “grande choque inflacionário” na economia global e europeia. O Estreito de Ormuz é vital, por onde passa cerca de 20% do petróleo e gás consumidos mundialmente, e seu tráfego está suspenso desde o início da guerra.
A perspectiva de que os preços da energia permaneçam elevados por um período prolongado aumenta o temor de uma onda inflacionária capaz de afetar profundamente a economia mundial. Essa situação eleva o custo de produção e transporte, impactando diretamente o consumidor final.
Divergências sobre as Consequências Econômicas
Enquanto a União Europeia expressa forte preocupação, o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, minimizou a alta do petróleo, focando na importância de eliminar a “ameaça nuclear do Irã”. Em sua plataforma Truth Social, Trump declarou: “O aumento de curto prazo dos preços do petróleo, que cairão rapidamente quando a ameaça nuclear do Irã for eliminada, é um preço muito pequeno a pagar pela segurança e pela paz dos Estados Unidos e do mundo”. Ele concluiu: “APENAS OS TOLOS PENSARIAM O CONTRÁRIO!”.
No entanto, muitos analistas alertam para um impacto severo na economia mundial. Stephen Innes, da SPI Asset Management, afirmou: “O choque mais profundo está se espalhando pela cadeia produtiva”. Ele acrescentou que “o petróleo acima de 100 dólares não representa apenas uma alta das commodities. Torna-se um imposto sobre a economia global”, ressaltando a gravidade do cenário para a economia global e a necessidade de atenção contínua ao choque inflacionário.