Produtores de açaí no Amapá implementam rigorosas medidas de higiene e branqueamento para reverter a queda nas vendas e garantir a segurança contra a doença de Chagas.
A preocupação com a doença de Chagas no Amapá tem gerado um impacto significativo na economia local, especialmente no setor de venda de açaí. Com o recente surto, o consumo da fruta, que é base alimentar e cultural na região, sofreu uma drástica redução.
Relatos indicam uma queda de até 40% nas vendas, forçando batedores e produtores a adotar medidas emergenciais para restaurar a confiança dos consumidores e assegurar a qualidade do produto oferecido no estado.
As autoridades intensificam a fiscalização e a conscientização sobre as boas práticas, enquanto o setor tenta se reerguer diante do desafio, conforme informações divulgadas pelo g1.
Medidas Essenciais para um Açaí Seguro
Para combater a contaminação e garantir a segurança alimentar, os produtores e batedores de açaí no Amapá estão implementando um protocolo rigoroso. Este inclui a catação de impurezas, uma lavagem dupla em água corrente e, posteriormente, uma lavagem em solução com hipoclorito de sódio.
Após esses procedimentos iniciais, o fruto passa por um processo crucial conhecido como branqueamento. Nele, o açaí é exposto a altas temperaturas, variando entre 80°C e 90°C, por cerca de 10 segundos, seguido por um choque térmico em água fria.
Fábio Farias, batedor de açaí em Macapá, enfatiza a importância desse método. “É de suma importância fazer o processo de catação, o processo de branqueamento no açaí, porque te garante qualidade no produto que a gente vai vender aqui todos os dias. Isso deveria ser adotado por todas as batedeiras do estado. Muitas não adotam porque encarece o preço do açaí”, afirmou.
O Desafio Econômico dos Batedores de Açaí
Além da preocupante queda na venda de açaí, os batedores enfrentam outro problema: o aumento no preço da saca do fruto, que costuma ocorrer durante o período chuvoso. Este cenário cria uma dupla dificuldade para os empreendedores locais.
João de Deus Santos, também batedor em Macapá, descreve a situação: “Tô comprando menos porque hoje eu comprei o açaí de R$ 500. A pessoa compra porque tem que manter o estabelecimento, senão não comprava. Meu freezer nunca teve estoque de açaí congelado como tá agora, porque ninguém quer comprar. Aí fica difícil pra todo mundo”, relatou.
Antonio Alves, presidente da Associação de Batedores e Produtores de Açaí, confirma que o setor está em crise. Ele reforça a necessidade de os consumidores buscarem locais que sigam as normas de segurança. “A gente sentiu que todo o setor hoje tá em crise. Tem batedor que não consegue vender porque as pessoas têm medo de consumir. Mas quero conscientizar o consumidor que busque açaí das batedeiras organizadas, que têm equipamentos e fazem o procedimento correto, entregando um produto de qualidade”, declarou Alves.
A Força-Tarefa contra a Doença de Chagas
As autoridades estaduais e municipais do Amapá uniram esforços em uma força-tarefa para intensificar a fiscalização e garantir um atendimento rápido aos casos da doença de Chagas. A secretária municipal de saúde, Renilda da Costa, explica as ações em andamento.
“Nós podemos dizer que estamos fazendo a fiscalização tanto pela vigilância estadual quanto municipal. Hoje temos em torno de 9 mil batedeiras. As que foram identificadas com venda irregular por conter o parasita foram fechadas”, informou a secretária, destacando a seriedade do trabalho de vigilância.
Renilda da Costa também mencionou que equipes médicas estão sendo capacitadas e exames específicos estão sendo realizados para identificar e tratar os casos da doença no menor tempo possível. Ações como essas são cruciais para restaurar a confiança pública e garantir que o açaí do Amapá seja consumido com segurança.