Denúncias de maus-tratos em creche de Iacanga se multiplicam com mães relatando agressões e comportamento alterado dos filhos; investigação policial na reta final
Imagens perturbadoras de uma creche em Iacanga, interior de São Paulo, vieram à tona, revelando uma cuidadora suspeita de agredir crianças. Os vídeos, que mostram a funcionária empurrando a cadeira de um aluno e forçando outro a sentar no chão, provocaram uma onda de indignação e levaram ao afastamento das envolvidas.
Pelo menos oito crianças, com idades entre dois e três anos, teriam sido vítimas de maus-tratos na Escola Municipal Maria Aparecida Andozia Castro, conforme as denúncias apresentadas. A repercussão do caso tem gerado grande preocupação entre pais e a comunidade local.
A Polícia Civil de Iacanga está na fase final da investigação, coletando depoimentos e provas para esclarecer os fatos e responsabilizar os culpados, conforme informações divulgadas pelo g1.
Imagens Chocantes e as Primeiras Denúncias de Agressão em Creche
As primeiras denúncias sobre a agressão em creche de Iacanga foram registradas entre os dias 22 e 23 de janeiro. Quatro mães, após terem acesso às imagens das câmeras de segurança, foram orientadas pelo Conselho Tutelar a formalizar o boletim de ocorrência.
Os vídeos mostram uma das cuidadoras, principal suspeita, em atitudes que levantaram sérias preocupações. Ela aparece empurrando com força a cadeira de uma das crianças e, em outro momento, forçando um aluno a sentar no chão.
Ainda em janeiro, no dia 29, uma nova denúncia foi feita. Uma mãe registrou boletim de ocorrência contra outra funcionária, após ter visto imagens que mostravam seu filho sendo chacoalhado com força dentro da unidade de ensino.
Novas Acusações Detalham Maus-tratos e Mudanças no Comportamento Infantil
Entre os dias 30 de janeiro e 4 de fevereiro, mais três denúncias foram registradas, envolvendo duas crianças de 2 anos e uma de 3 anos de idade. As mães, novamente, tiveram acesso às gravações de segurança para comprovar as alegações de maus-tratos em creche de Iacanga.
Um dos novos boletins relata que, em 22 de dezembro, uma servidora teria forçado um filho a se alimentar. Outro caso, ocorrido em 7 e 9 de janeiro, descreve a funcionária segurando a cabeça da criança, dando um tapa em sua mão, empurrando a cadeira com força e obrigando-a a comer.
Após esses episódios, a mãe dessa criança relatou uma mudança preocupante no comportamento do menino, que passou a apresentar atitudes agressivas. Isso sublinha o impacto psicológico das agressões em crianças pequenas.
O terceiro registro, feito na última sexta-feira (30), se refere a fatos que teriam ocorrido entre outubro e novembro. A mãe relatou que seu filho chorava para ir à creche e dizia que a “tia era má”, indicando, por gestos, que a cuidadora o batia na cabeça. No entanto, o Conselho Tutelar não conseguiu as imagens dessa época, pois os vídeos não são armazenados por mais de 45 dias.
Avanço da Investigação Policial em Iacanga
O delegado Roberto Cabral Medeiros informou que a investigação está em sua reta final. “A princípio são duas cuidadoras, que nós já tomamos as declarações de cada uma”, explicou o delegado ao g1. Além delas, as mães das crianças, a secretária de Educação e a diretora da escola também foram ouvidas.
Para complementar as provas e verificar a extensão das lesões nas crianças, exames foram requisitados junto ao Instituto Médico Legal de Bauru. A intenção é constatar se há lesões aparentes ou internas nos pequenos vítimas de suspeita de agressão.
Após a conclusão de todos os procedimentos policiais, o caso será encaminhado para o Judiciário de Iacanga, onde serão tomadas as devidas providências legais contra as funcionárias acusadas de maus-tratos.