A escassez de combustível atinge em cheio o setor turístico, essencial para a ilha, forçando viajantes a enfrentar voos mais longos e hotéis fechados.
Cuba enfrenta um cenário desafiador com a crescente crise energética, que tem afugentado visitantes e impactado severamente sua principal fonte de divisas. O setor de turismo, vital para a economia local, registra uma queda drástica, refletindo as dificuldades diárias enfrentadas pela população.
A falta de combustível e querosene não apenas dificulta o transporte interno, mas também afeta a logística de voos internacionais, com relatos de escalas adicionais para reabastecimento. Essa situação tem levado muitos turistas a repensar suas viagens à ilha caribenha.
Conforme informações divulgadas pelo g1, essa conjuntura complexa desenha um futuro incerto para o país, que busca alternativas enquanto lida com as consequências de um cenário global e local desfavorável.
O Declínio do Turismo e Seus Efeitos
Nos últimos seis anos, o turismo em Cuba, um pilar econômico, sofreu uma retração alarmante de cerca de 70%. Essa queda vertiginosa é um reflexo direto da crise energética e da escassez generalizada que assola o país, tornando a experiência dos visitantes cada vez mais complicada.
Corinne e Patrick, um casal francês que retornou a Cuba dez anos após uma primeira visita encantadora, testemunharam as mudanças. Eles relataram que a viagem de onze dias foi profundamente afetada pela escassez de combustível, com muitos hotéis que haviam escolhido estando fechados.
O casal, que se preparava para retornar a Paris em um voo com escala adicional para reabastecimento de querosene, expressou a intenção de apoiar o povo cubano, consumindo em restaurantes e trazendo divisas, mesmo diante das dificuldades.
A percepção de que a ilha está “acabada”, mencionada por alguns observadores externos, contrasta com a resiliência dos cubanos e a esperança de que o apoio internacional possa mitigar os efeitos da crise.
Impacto na População e Economia Local
A ausência de turistas desencadeia um círculo vicioso na economia cubana. Daniela, uma jovem de 20 anos que vendia souvenirs, descreve a situação de forma clara: “Se não há turismo, não há entrada de dinheiro no país. E se o país não tem divisas, não podemos comprar combustível.”
A jovem precisou abandonar seus estudos de medicina devido à crise energética, e seu salário agora depende das vendas diárias, que diminuem a cada dia. Essa realidade ilustra como a retração do setor turístico impacta diretamente a vida e o futuro dos cidadãos cubanos.
Para Daniela e muitos outros, o turismo é “realmente fundamental” para a subsistência e para a esperança de dias melhores. A diminuição do fluxo de visitantes se traduz em menos oportunidades e mais desafios para a população.
A Ajuda Russa e a Reação Internacional
Em meio à grave crise energética, um petroleiro russo, o Anatoly Kolodkin, chegou à costa cubana, transportando 730 mil barris de petróleo bruto em direção ao porto de Matanzas. A Rússia expressou satisfação com a chegada, vista como um alívio para a escassez de combustível na ilha, aliada de Moscou.
O bloqueio imposto por Washington ao abastecimento de combustível continua em vigor, mas a chegada do petroleiro russo reacendeu discussões sobre as relações internacionais de Cuba. Donald Trump, ex-presidente dos Estados Unidos, comentou a situação.
Ele declarou que “Se um país quiser enviar petróleo para Cuba agora, isso não me causa nenhum problema, seja a Rússia ou não”. Trump minimizou o impacto, afirmando que “Isso não terá qualquer impacto. Cuba está acabada (…), recebam eles uma carga de petróleo ou não, isso não fará nenhuma diferença.”
Essa declaração reflete a percepção de alguns setores internacionais sobre a profundidade dos desafios enfrentados por Cuba, independentemente de ajudas pontuais. A crise energética, portanto, permanece como um dos principais obstáculos para a recuperação econômica da ilha.