Crise Hídrica Atinge Região de Campinas: Moradores de Pedreira, Sumaré e Cosmópolis Sofrem com a Falta de Água em Pleno Réveillon

A falta de água se tornou um problema crítico para milhares de moradores em diversas cidades da região de Campinas, como Pedreira, Sumaré e Cosmópolis, especialmente durante o período de festas de Réveillon e sob forte calor. A situação tem gerado transtornos significativos, alterando a rotina e forçando as famílias a buscar soluções emergenciais para o abastecimento doméstico.

Relatos de desabastecimento, baixa pressão e interrupções sem aviso prévio são comuns, impactando diretamente a qualidade de vida e a saúde pública. A comunidade se mobiliza para enfrentar a crise, enquanto as empresas e prefeituras responsáveis tentam normalizar o serviço.

As informações foram divulgadas pelo g1, destacando a gravidade do cenário e a insatisfação dos cidadãos diante da interrupção de um serviço essencial.

Rotina Alterada e Gastos Extras Marcam a Luta contra a Falta de Água

Em Pedreira, a falta de água surge sem aviso e pode durar horas, muitas vezes retornando apenas de madrugada. Silmara Aparecida Antonio, moradora da cidade, descreve a situação: “Às vezes só volta de madrugada. Quem consegue, compra água”, evidenciando o desespero e os custos adicionais que a população precisa arcar.

A situação é igualmente grave em Sumaré, no bairro Portal Bordom 2, onde a comunidade se vê obrigada a recorrer a uma bica para coletar água. Neide Aparecida lamenta: “Não dá para ficar 48 horas sem uma gota na torneira”, sublinhando a urgência da necessidade. O vigilante Sandro Carlos dos Santos reforça a preocupação, “É final de ano, muita gente, criança. Não tem água nem para dar para um animal”, destacando o impacto em grupos mais vulneráveis.

Já em Cosmópolis, a solução encontrada por muitos tem sido o caminhão-pipa. Raquel Pereira, aposentada da Rua Lourenço Trevenzoli, relata que “Estamos sem uma gota d’água. Quando chega, não dá nem 30 centímetros de altura”, revelando a precariedade do fornecimento quando há. O motorista Fabrício Konig precisou investir cerca de R$ 5 mil em um sistema próprio de reservatórios e gasta R$ 500 a cada dez dias com caminhões-pipa, uma despesa considerável para garantir o mínimo.

A técnica de enfermagem Lindalva dos Santos teve que cancelar suas festas de fim de ano e adota medidas extremas de economia. “Você liga o chuveiro, molha o corpo, desliga, ensaboa, liga de novo. Para beber e cozinhar, temos que comprar água”, explica, mostrando como a falta de água redefine até os hábitos mais básicos do dia a dia.

O Que Dizem as Empresas e Prefeituras sobre o Abastecimento

A BRK, empresa responsável pelo fornecimento de água em Sumaré, informou que o abastecimento na região do Picerno apresentou oscilações no dia 30 de dezembro. Segundo a empresa, a interrupção parcial se deu por conta de uma manutenção emergencial no sistema elétrico de um reservatório, necessária para garantir a segurança e a continuidade da operação. A BRK afirmou que não há interrupção total, mas sim oscilações de pressão, com previsão de normalização completa do sistema até o final da noite de 31 de dezembro.

Em Pedreira, a prefeitura explicou que, desde 22 de dezembro, a cidade registra um consumo extremo de água, afetando principalmente os bairros mais altos. O Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) opera com 100% da capacidade, mas fatores como manutenções, altas temperaturas, falta de energia, troca de motor na captação e falhas de telemetria têm atrasado a normalização do serviço de água.

A prefeitura de Cosmópolis, por sua vez, atribuiu a perda de pressão e o desabastecimento em pontos mais altos da cidade às altas temperaturas e à onda de calor, que resultam em um alto consumo simultâneo. A administração municipal informou que o Departamento de Água e Esgoto (DAE) está realizando manobras para equalizar o sistema de distribuição e tentar mitigar os efeitos da falta de água na população.

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