Medida emergencial da Sanepar visa preservar reservatórios e evitar colapso total no abastecimento, enquanto moradores e turistas de Guaratuba sofrem com interrupções drásticas em pleno verão.
A Sanepar, Companhia de Saneamento do Paraná, anunciou a implementação de um plano de redução da pressão da água em três cidades do litoral do estado. A medida será aplicada durante os horários de pico, como almoço e fim de tarde, com o objetivo de recuperar os níveis dos reservatórios e garantir o abastecimento em meio à alta demanda da temporada.
A previsão é que o litoral do Paraná receba mais de 3 milhões de pessoas neste verão, elevando significativamente o consumo de água. A companhia afirma que a produção de água tratada já opera em sua capacidade máxima, tornando a redução de pressão uma estratégia para evitar problemas maiores.
No entanto, a situação já é crítica em Guaratuba, um dos municípios afetados, onde a falta de água tem gerado transtornos severos para moradores e veranistas, impactando diretamente o turismo e o comércio local, conforme informações divulgadas pelo g1.
Sanepar e a Estratégia de Redução de Pressão para o Litoral
A Sanepar informou que a redução na pressão da água pode ocasionar interrupções temporárias em algumas áreas dos municípios do litoral. Contudo, a empresa enfatiza que esta ação é essencial para prevenir a necessidade de paralisações no abastecimento de proporções muito maiores.
A companhia busca equilibrar a oferta e a demanda, especialmente com a chegada massiva de turistas. A iniciativa visa proteger a infraestrutura e garantir que os reservatórios possam se restabelecer, mantendo a distribuição de água tratada, que já está no volume máximo de produção.
Esta estratégia preventiva da Sanepar é crucial para tentar mitigar os efeitos do aumento populacional no litoral do Paraná, garantindo que a infraestrutura de saneamento possa suportar o fluxo de pessoas sem que ocorra um colapso generalizado no abastecimento de água.
O Drama da Falta de Água em Guaratuba
Enquanto a Sanepar implementa a redução de pressão, a cidade de Guaratuba já enfrenta um cenário de grave escassez hídrica há dias. Moradores relatam que o abastecimento de água começou a diminuir a partir de 23 de dezembro e foi totalmente interrompido desde o sábado, dia 27.
A situação se agravou ainda mais na segunda-feira, dia 29, com o rompimento de uma adutora vital. Esta tubulação é responsável por transportar a água da estação de tratamento para os reservatórios que atendem toda a cidade, comprometendo severamente a distribuição.
Em desespero, muitos moradores de Guaratuba têm recorrido a uma bica pública para coletar água potável. Eles utilizam o local para necessidades básicas do dia a dia, como lavar louça, cozinhar e, em alguns casos, até mesmo para tomar banho, evidenciando a gravidade da falta de água.
Impacto Econômico e Social na Temporada Alta
A falta de água em Guaratuba tem gerado um impacto econômico e social significativo. Veranistas, que planejavam passar seus dias de folga na região, estão desistindo das diárias já reservadas e retornando para casa, o que representa um prejuízo direto para a economia local.
Maria Clara Líbano, que aluga apartamentos para turistas, descreve a situação como insustentável. Ela relata que os hóspedes chegam e rapidamente querem ir embora, e que já fez pedidos de caminhão-pipa para famílias com crianças e idosos que aguardam por água.
A crise hídrica também forçou comerciantes a fecharem temporariamente suas portas. Sandra Mara, empresária local, afirmou que seu estabelecimento precisou fechar, mesmo em um dia de grande movimento. Ela lamenta ter que dispensar o quadro de funcionários e o estoque preparado para a alta temporada, planejando reabrir apenas em 3 de janeiro.
A situação é ainda mais crítica por conta das altas temperaturas registradas em Guaratuba nos últimos dias, que chegaram a 33 ºC, com sensação térmica de 41,4 ºC, conforme dados do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar). O calor intenso agrava o desconforto e a necessidade de água, tornando a crise de abastecimento ainda mais insuportável para a população.