Família Ameaçada em Patrocínio Paulista Vela Vítima de Feminicídio Sob Escolta Policial, Ex-Marido Foragido Após Crime Brutal

O brutal feminicídio de Lauany de Souza Osório em Patrocínio Paulista deixa a família em luto e sob escolta policial, temendo as ameaças do ex-marido foragido, Lucas Ferreira.

A cidade de Patrocínio Paulista, no interior de São Paulo, foi palco de uma tragédia que chocou a comunidade e expôs a vulnerabilidade de vítimas de violência doméstica. O feminicídio de Lauany de Souza Osório, de 27 anos, no domingo de Páscoa, deixou a família em profunda dor e sob um constante estado de alerta.

Em um cenário de medo e insegurança, os familiares de Lauany precisaram velar a jovem sob a proteção ostensiva da Polícia Militar, uma medida de segurança drástica diante das ameaças de morte proferidas pelo ex-marido e apontado como autor do crime, Lucas Ferreira, que está foragido.

As ameaças não se restringem apenas aos sogros, mas também à própria filha do casal, de apenas 7 anos, intensificando o drama vivido pela família, conforme informações divulgadas pelo g1.

O Crime Brutal e a Fuga do Agressor

Lauany de Souza Osório foi brutalmente assassinada no último domingo, em um crime que abalou Patrocínio Paulista. O principal suspeito, seu ex-marido Lucas Ferreira, não aceitava o fim do relacionamento e vinha proferindo ameaças constantes contra a vítima e seus familiares.

Nesta segunda-feira, a Justiça de São Paulo decretou a prisão preventiva de Lucas Ferreira, que até a última atualização desta matéria, permanecia foragido. A mãe de Lauany, Rosângela de Souza, expressa o terror vivido pela família.

“Ele me ameaçou, falava que ia matar todo mundo se ela não voltasse com ele. É triste. Eu quero que peguem ele. A gente não está dormindo, nem vai dormir sossegado de medo de ele aparecer e fazer alguma coisa com a menina, com nós”, desabafou Rosângela, evidenciando o pavor de novas agressões.

Histórico de Violência e o Pedido de Divórcio

O relacionamento entre Lauany e Lucas Ferreira durou sete anos e, segundo relatos de familiares, foi marcado por um ciclo contínuo de ameaças e agressões. Recentemente, Lauany havia descoberto uma traição e, diante da situação insustentável, tomou a difícil decisão de pedir o divórcio.

Após o pedido de separação, Lauany e sua filha se mudaram para a casa dos pais dela, na zona rural de Patrocínio Paulista, buscando refúgio e segurança. No entanto, Lucas Ferreira não aceitava o término e continuava a perseguir e ameaçar a ex-mulher, agravando a situação de família ameaçada.

O Encontro Fatal no Domingo de Páscoa

No domingo de Páscoa, um dia que deveria ser de celebração, Lauany informou à mãe que precisava ir à cidade. Rosângela, desconfiada das interações da filha, questionou se ela estaria conversando com o ex-marido, ao que Lauany respondeu que falava com um amigo.

“Ela falou: ‘mãe, vou à cidade’. Falei ‘você está conversando com ele no telefone?’, e ela falou: ‘não, mãe, estou conversando com um amigo meu’. Mas estava conversando com ele no celular”, relatou a mãe, revelando a preocupação pré-existente e os sinais da tragédia.

Segundo testemunhas, Lauany e Ferreira se encontraram no bairro João Lopes Sobrinho, por volta das 16h, e uma discussão acalorada teve início. Em um ato de desespero, Lauany buscou ajuda na casa de uma mulher, pedindo água e alertando que estava sendo ameaçada, mencionando possuir uma medida protetiva.

A atendente de restaurante Tainá Nascimento, testemunha do ocorrido, descreveu os momentos de horror. “Ela [Lauany] pediu um copo de água. A dona da casa foi lá dentro na cozinha, pegou a água e ela falou que era para chamar a polícia para ela, porque ele [Ferreira] estava sendo agressivo e tinha medida protetiva.”

Tainá continuou o relato, “Aí ela encostou no portão e entrou. Ele empurrou a dona da casa e começou a dar os golpes. Foi quando ela caiu no chão, não teve nem tempo de pedir ajuda”. Lauany foi morta com, pelo menos, dez facadas. O caso foi registrado como feminicídio na Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Franca, SP.

A Medida Protetiva Ignorada e a Realidade das Ameaças Familiares

A mãe de Lauany, em sua dor, relembrou os avisos constantes à filha sobre o perigo iminente. “Eu avisava para ela ‘ele vai te matar, ele vai te matar’ e ela não acreditava, nunca acreditava. Fez protetiva, mas não adiantou.”

Apesar da existência de uma medida protetiva, Lucas Ferreira continuava a ameaçar Lauany e seus familiares. Em mensagens enviadas à vítima, ele chegou a mandar fotos de uma arma e fez menção ao pai dela, demonstrando total desprezo pela decisão judicial e pela segurança da família ameaçada.

A advogada Néria Lúcio Buzatto explica que medidas protetivas estendidas à família de mulheres ameaçadas têm se tornado mais comuns, ressaltando a amplitude do problema. “A gente sabe que na maioria das vezes não é só a vítima. Inclusive as medidas protetivas estão sendo deferidas no sentido de proteger também os familiares porque é muito comum ameaçar também os familiares não somente a mulher, vítima.”

O caso de feminicídio em Patrocínio Paulista é um triste lembrete da urgência de combater a violência contra a mulher e garantir a eficácia das medidas de proteção, para que nenhuma família precise velar seus entes queridos sob escolta policial, com o medo constante de novas tragédias.

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