Ilustrador busca diagnóstico ao trabalhar em livro sobre autismo | G1

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"title": "Ilustrador de ‘Miguel, um Artista Autista’ busca diagnóstico de TEA na vida adulta após se reconhecer em livro infantil e ressignificar sua história",
"subtitle": "A jornada de autodescoberta do ilustrador Will Amaro, ao se identificar com o protagonista autista de seu livro, destaca o poder da literatura e a relevância do diagnóstico tardio do TEA na vida adulta.",
"content_html": "<h2>A jornada de autodescoberta do ilustrador Will Amaro, ao se identificar com o protagonista autista de seu livro, destaca o poder da literatura e a relevância do diagnóstico tardio do TEA na vida adulta.</h2><p>Enquanto dedicava-se à criação das ilustrações para o livro infantil 'Miguel, um artista autista', o ilustrador Will Amaro iniciou uma profunda jornada de autodescoberta. Ao mergulhar na história do protagonista que descobre a neurodivergência, Amaro percebeu uma **identificação surpreendente** com os traços e vivências do personagem, o que o levou a buscar um diagnóstico para o Transtorno do Espectro Autista, TEA.</p><p>Esta experiência pessoal revela não apenas o poder transformador da arte, mas também lança luz sobre a realidade de muitos adultos que recebem um diagnóstico tardio de **autismo**. A falta de informações e o estigma social são fatores cruciais que frequentemente adiam essa importante compreensão sobre si mesmo.</p><p>A história de Will Amaro é um testemunho da capacidade da literatura em promover o autoconhecimento e quebrar barreiras. Sua busca por respostas, iniciada através do trabalho em um livro infantil sobre **autismo**, ressalta a importância de um olhar mais atento para as manifestações do espectro em todas as idades, conforme informação divulgada pelo g1.</p><h3>A Identificação e o Alívio do Autoconhecimento</h3><p>Para o ilustrador, a possibilidade de receber um diagnóstico foi fundamental para atribuir um novo significado às suas experiências passadas. “Você não muda o que aconteceu e tudo o que você viveu. Mas, quando você olha para trás, você pensa em situações que foram difíceis, algumas coisas que você não entendeu porque aquilo aconteceu”, reflete Will Amaro.</p><p>Ele explica que, ao longo da vida, lidou com dificuldades e carregou culpas por não compreender seu próprio funcionamento. “Você cresce lidando com certas dificuldades nesse sentido, você se culpa por coisas do passado que você não entendia como funcionava e você acaba carregando essa culpa por muito tempo e ela sobrecarrega”, descreve.</p><p>A compreensão de que seu funcionamento era apenas diferente dos outros trouxe um **sentimento de alívio**. “Quando você entende que, na verdade, era o seu funcionamento que era diferente das outras pessoas, é como se você tirasse isso das costas e ficasse mais aliviado”, conta Will, enfatizando a libertação que o autoconhecimento proporciona.</p><h3>Literatura como Ponte para o Diálogo e a Aceitação</h3><p>Priscila Pereira Boy, autora de "Miguel, um artista autista", destaca que a vivência de Will Amaro já comprova o impacto do livro. “Eu fico pensando no papel da literatura, no papel de um livro, de uma história bem contada. A gente quebrar os estereótipos, quebrar os preconceitos, trazer para o Will a possibilidade de ele se enxergar com olhos de generosidade, com olhos de normalidade, se enxergar como alguém de potencial”, afirma Priscila.</p><p>A autora ressalta que os laudos são pontos de partida, não de chegada, e que o livro tem o potencial de oferecer autoconhecimento a outras pessoas e um olhar mais atento às famílias. Will Amaro compartilha dessa esperança, imaginando um futuro menos árduo para crianças com **autismo** se houver mais apoio e informação.</p><p>A diretora da Editora Intersaberes, Lindsay Azambuja, revela que "Miguel, um artista autista" faz parte de uma coletânea que aborda responsabilidade social e inclusão. A seleção de temas é baseada na experiência infantil pós-pandemia, visando ajudar crianças a lidar com emoções como ansiedade e frustrações de forma lúdica.</p><p>Lindsay defende que a leitura pode diminuir o preconceito e melhorar as relações. “Nós acreditamos que a leitura pode ajudar a diminuir o preconceito, a melhorar as relações entre as crianças e os pais, entre as crianças e outras crianças e entre as crianças e os seus responsáveis, com muita conversa, uma conversa tranquila, calma, cheia de amor”, explica, mencionando as atividades práticas que acompanham os livros.</p><h3>Desafios do Diagnóstico Tardio do Transtorno do Espectro Autista</h3><p>Caso a investigação clínica de Will Amaro se confirme, ele se juntará à estatística de pessoas com **diagnóstico tardio de TEA**. O Censo Demográfico de 2022, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, IBGE, revelou que 2,4 milhões de brasileiros têm diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista, sendo 1,3 milhão com mais de 19 anos.</p><p>O neurologista Matheus Trilico, especialista em **autismo** adulto, explica que o diagnóstico do espectro é geralmente feito na infância, mas pode ocorrer na adolescência ou vida adulta. A falta de acesso a informações, o estigma social e a manifestação sutil do autismo, muitas vezes confundida com outras condições, contribuem para o diagnóstico tardio.</p><p>Segundo Trilico, esses casos frequentemente envolvem pessoas com nível de suporte 1, onde os sinais são mais sutis e podem ser mascarados. Na fase adulta, a busca pelo diagnóstico é comum quando a pessoa se identifica com características observadas em indivíduos já diagnosticados, muitas vezes mais jovens.</p><h3>A Importância do Conhecimento para a Qualidade de Vida</h3><p>O neurologista Matheus Trilico enfatiza que o conceito-chave para a investigação clínica do **Transtorno do Espectro Autista** é o autoconhecimento. “A partir do momento em que a gente começa a explicar isso de um ponto de vista médico, neurológico, neurobiológico, passa-se a entender melhor por que esse cérebro, essa pessoa, funciona daquela maneira e conhecimento é algo que ninguém te tira”, detalha o médico.</p><p>Ele reforça que, ao entender melhor o próprio funcionamento, a pessoa passa a ter mais qualidade de vida. O diagnóstico de autismo é clínico, baseado em características humanas e requer critérios específicos, podendo ser feito por qualquer médico especializado na área, com o apoio de uma equipe multidisciplinar.</p><p>Trilico observa que, embora muitos avanços tenham sido feitos no diagnóstico de TEA em adultos, há um longo caminho a percorrer. “O foco continua sendo as crianças e isso em algum momento vai ter que mudar, porque essas crianças irão crescer, e o que a gente vai fazer com elas? Quem será o suporte dessas pessoas quando elas envelhecerem? Quem vai cuidar delas? Ainda não se pensa muito a respeito disso, mas em algum momento será importante”, conclui o neurologista, apontando para a necessidade de mais atenção e recursos para adultos no espectro."
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