Alan Melo Martins, o PM que atropelou e matou mulher em Rio Branco, enfrentará o júri popular, em um julgamento que trará à tona detalhes sobre alta velocidade e suposto consumo de álcool.
O PM que atropelou e matou mulher, Silvinha Pereira da Silva, em Rio Branco, terá um novo capítulo decisivo a partir da próxima segunda-feira, dia 12 de fevereiro. O policial militar Alan Melo Martins será submetido a júri popular, em um caso que chocou a capital acreana.
A expectativa é que o julgamento dure três dias, com término previsto para a quarta-feira (14). Serão ouvidas testemunhas de acusação e defesa, além do interrogatório do próprio réu, conforme informações divulgadas pelo g1.
Este processo busca justiça para a família de Silvinha. O caso reacende importantes discussões sobre segurança no trânsito e as graves consequências de atos imprudentes, como alta velocidade e consumo de álcool.
O Trágico Acidente na Estrada Dias Martins
O atropelamento que resultou na morte de Silvinha Pereira da Silva ocorreu em maio de 2019, em uma das vias mais movimentadas da capital acreana, a Estrada Dias Martins. Silvinha estava em uma motocicleta com seu marido, José da Silva, quando foram brutalmente atingidos pelo carro conduzido pelo policial.
Os três envolvidos no acidente foram socorridos e levados ao pronto-socorro. Infelizmente, Silvinha não resistiu à gravidade dos ferimentos e veio a óbito no dia seguinte. Seu marido, José da Silva, sobreviveu, mas sofreu lesões graves, o que motivou a inclusão da acusação de tentativa de homicídio contra o PM.
Na época do ocorrido, José da Silva, viúvo da vítima, relatou que o policial militar estava em alta velocidade no momento da colisão. Esta versão foi corroborada pela denúncia apresentada pelo Ministério Público do Acre (MP-AC), que investigou o caso a fundo.
Acusação de Homicídio Doloso e Tentativa de Homicídio
Um laudo pericial crucial para o processo apontou que o veículo do PM estaria a cerca de 130 km/h no trecho da Estrada Dias Martins onde a velocidade máxima permitida era de apenas 40 km/h. Este dado reforça a tese de imprudência e de dolo eventual na conduta do acusado.
Além da velocidade excessiva, o processo também conta com relatos de testemunhas que afirmaram que o policial havia consumido aproximadamente 30 garrafas de bebida alcoólica antes de dirigir. Contudo, a defesa de Alan Melo Martins nega veementemente essa versão apresentada no inquérito.
Diante das evidências e depoimentos, o Ministério Público do Acre (MP-AC) denunciou Alan Melo Martins por homicídio doloso, quando há intenção de matar ou se assume o risco, contra Silvinha Pereira da Silva, e por tentativa de homicídio contra seu marido, José da Silva, que ficou gravemente ferido.
Os Argumentos da Defesa e a Controvérsia Médica
Desde o início do processo, a defesa do policial militar Alan Melo Martins tem sustentado que não houve intenção de matar. Os advogados do réu solicitaram a desclassificação dos crimes, buscando que a morte de Silvinha fosse tratada como homicídio culposo, sem dolo.
Em relação a José da Silva, a defesa requereu que a tentativa de homicídio fosse desclassificada para lesão corporal, argumentando que a intenção do policial não era a de ceifar vidas. Tais pedidos buscam amenizar a pena e a natureza da acusação enfrentada pelo PM.
Outro ponto levantado pela defesa é que a morte de Silvinha não teria sido causada diretamente pelo acidente, mas sim por supostas falhas no atendimento médico. Eles citam a demora na transferência para uma vaga de UTI e o uso de medicação inadequada como fatores determinantes.
No entanto, essa versão é contestada por médicos que foram ouvidos no processo. Os profissionais de saúde afirmaram categoricamente que a morte de Silvinha foi uma consequência direta e inevitável da gravidade dos ferimentos provocados pelo violento atropelamento, refutando a tese da defesa.
A Trajetória Judicial e Outro Júri Popular
Dias após o acidente, o Ministério Público do Acre (MP-AC) solicitou a prisão preventiva de Alan Melo Martins. O policial chegou a ficar detido por dez dias, sendo solto em junho de 2019 após a Justiça acatar um pedido de revogação da prisão, gerando grande repercussão na época.
No mês de setembro do mesmo ano, o MP-AC fez um novo pedido de prisão para o militar. Contudo, a defesa recorreu da decisão, e ele permaneceu em liberdade até janeiro do ano passado, quando a Justiça determinou seu retorno à prisão, onde está detido no Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope).
Curiosamente, Alan Melo Martins já enfrentou um júri popular recentemente. Ele foi um dos réus no julgamento do assassinato de Maria Cauane, de 11 anos, Gleiton Silva Borges e Edmilson Fernandes da Silva Sales, ocorrido durante uma operação do Bope em Rio Branco, em 2018.
Em dezembro de 2022, ele e os demais acusados foram absolvidos neste caso, uma decisão que foi mantida pela Justiça em outubro do ano passado. Este histórico judicial adiciona mais uma camada de complexidade ao atual julgamento do PM que atropelou e matou mulher.