Polêmica em Andradas: Prefeitura Cancela Carnaval e Festa de Aniversário por Orçamento e Culpa Aumento de Repasses à Câmara

A decisão da gestão municipal de Andradas de cortar as festividades levanta um debate acalorado sobre prioridades financeiras e o papel do duodécimo.

A cidade de Andradas, no Sul de Minas Gerais, está em meio a uma grande controvérsia após o anúncio do cancelamento do tradicional carnaval e da festa de aniversário de 136 anos do município.

A decisão, comunicada pela Prefeitura, gerou surpresa e frustração entre os moradores, que aguardavam as celebrações anuais com expectativa.

O motivo alegado para o corte dos eventos é um suposto comprometimento do orçamento municipal, conforme informação divulgada pelo g1.

A Justificativa da Prefeitura para os Cortes

A administração municipal de Andradas publicou nas redes sociais que a medida foi tomada após um aumento nos repasses destinados à Câmara Municipal.

Segundo a gestão da prefeita Margot Pioli, do Cidadania, o Legislativo teria provocado um aumento nas despesas, comprometendo o orçamento da cidade.

Este aumento seria justificado pela Câmara para a construção de um novo prédio e pela obrigatoriedade das emendas impositivas, que impactam diretamente os cofres públicos.

A prefeita Margot Pioli enfatizou a dificuldade da escolha, afirmando que foi preciso optar entre as festas ou a garantia de serviços essenciais à população.

“Não é uma escolha fácil, mas é a escolha correta. Governar é decidir com responsabilidade, mesmo quando isso signifique abrir mão de eventos para não faltar no que é essencial”, declarou a prefeita, segundo o g1.

A Resposta da Câmara Municipal de Andradas

Em contrapartida, a Câmara Municipal de Andradas rapidamente rebateu as acusações da Prefeitura, negando que o aumento dos repasses tenha sido o motivo do cancelamento.

De acordo com o Legislativo, o orçamento da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Agrário, Turismo e Cultura, pasta responsável pela organização dos eventos, não sofreu alterações significativas.

O chefe do gabinete da presidência da Câmara, Vinícius Teixeira, foi enfático ao afirmar que os eventos sequer estavam planejados.

“Não se cancela aquilo que não estava planejado. Em nenhum momento houve uma programação prévia, um anúncio de Carnaval 2026. Aí, em cima da hora, eles soltam essa e atrelam a justificativa a essa questão do duodécimo”, pontuou Teixeira.

O Impasse do Duodécimo e o Planejamento

A controvérsia gira em torno do duodécimo, o recurso anual transferido pela Prefeitura ao Legislativo.

A Câmara Municipal de Andradas propôs ampliar este valor de R$ 3,2 milhões para R$ 7,6 milhões, um ponto central na argumentação da Prefeitura para o cancelamento.

No entanto, a Câmara argumenta que o valor do duodécimo representa cerca de 4% do orçamento municipal, estando bem abaixo dos 7% permitidos pela Constituição.

A Prefeitura também mencionou que o orçamento municipal, aprovado pela Câmara em 22 de dezembro, só foi enviado para análise e liberação em 13 de janeiro, e liberado em 23 de janeiro.

Este trâmite tardio, segundo a gestão municipal, impossibilitou qualquer planejamento financeiro adequado para eventos de grande porte, que demandam organização e gastos antecipados.

Prioridades da Gestão e o Futuro dos Eventos

O episódio levanta um debate importante sobre as prioridades da gestão pública e a comunicação entre os poderes Executivo e Legislativo na cidade de Andradas.

Enquanto a Prefeitura defende a responsabilidade fiscal e a garantia de serviços essenciais, a Câmara questiona a falta de planejamento prévio para as festividades.

A busca por uma sede própria para o Legislativo, um plano de longa data, também foi citada pela Câmara como um dos motivos para a necessidade de mais recursos.

A população de Andradas aguarda agora o desenrolar dessa situação, que impacta diretamente a vida cultural e social do município, especialmente com o cancelamento de eventos tão aguardados.

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